Caixa muda regras e limita financiamento da casa própria

Após aumentar por duas vezes os juros do financiamento imobiliário neste ano, a Caixa faz uma nova investida para dificultar a aquisição da casa própria.  A partir do dia 04 de maio, o limite máximo para o financiamento de um imóvel usado cairá de 80% para 50% do valor total. Com essa medida, a Caixa […]

Após aumentar por duas vezes os juros do financiamento imobiliário neste ano, a Caixa faz uma nova investida para dificultar a aquisição da casa própria.  A partir do dia 04 de maio, o limite máximo para o financiamento de um imóvel usado cairá de 80% para 50% do valor total. Com essa medida, a Caixa inviabiliza a compra da casa própria para milhares de trabalhadores.

Segundo a Caixa, o foco do banco será o financiamento de imóveis novos e populares. No entanto, a mudança de regras irá prejudicar diretamente aqueles que têm menos recursos para comprar um imóvel, já que metade do valor restante deverá ser pago a vista. Além disso, a Caixa se rende mais uma vez às regras do mercado, como destaca a diretora do Sindibancários/ES e bancária da Caixa, Lizandre Borges.

“É inadmissível que a Caixa adote mais essa medida contra a parcela mais vulnerável da população, que depende do financiamento para adquiri a casa própria. Como banco público, a Caixa tem como responsabilidade facilitar o acesso à habitação no país. O que vemos, no entanto, é um banco que vem atuando a favor do mercado e das grandes construtoras, as únicas que serão beneficiadas por essas mudanças”, enfatiza Lizandre.

A redução do limite para parcelamento atinge os imóveis usados que utilizam recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Somente até março deste ano, 27% dos financiamentos de casas da Caixa foram  de imóveis usados e que utilizam recursos do SBPE.

“Justificativa”

Para impor as novas regras, a Caixa alega que os depósitos em poupança têm caído ao longo deste ano e atingido recordes negativos. Até março, a diferença do valor que entrou na poupança e o que foi sacado está negativa em R$ 23,2 bilhões até março. Para a Caixa, essa situação é motivo suficiente para reduzir o valor de empréstimo nesta modalidade de crédito, independente das graves consequências para a população.

Para as operações usando recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ou pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, as regras continuam iguais. As alterações entram em vigor no dia 4 de maio e valem apenas para novos contratos.

A Caixa também reduziu o limite máximo de parcelamento para as operações do Sistema Financeiro Imobiliário, voltado principalmente para grandes investidores institucionais. O limite caiu de 70% para 40% do valor total do imóvel usado.

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