Caixa nega reivindicações e sinaliza que não está disposta a negociar

Primeira rodada da Campanha Salarial 2016 foi realizada nessa quarta-feira, mas foram discutidas as reivindicações pendentes ainda do acordo do ano passado

Na primeira rodada específica de negociação com a Caixa, realizada nessa quarta-feira, 17, em Brasília, mais uma vez o banco negou as reivindicações dos empregados. Apesar de ser a primeira negociação da Campanha Salarial 2016, na mesa foram discutidas e reivindicadas pela CEE/Caixa as pendências do acordo anterior, como o fim da reestruturação e a contratação de mais empregados. A nova rodada será realizada no próximo dia 24, em São Paulo (SP), quando entrará em debate a pauta da campanha deste ano.

“O posicionamento da Caixa reforça que devemos lutar pela negociação de todas as reivindicações durante a Campanha, já que na mesa permanente não temos avançado em nada. Com quadro caótico de falta de empregados e as inúmeras retiradas de direitos, os bancários devem se preparar e se empenhar para que, se for necessário, fazer uma greve forte. É preciso sair do ponto efetivamente e paralisar as atividades. Se não nos unirmos, não avançaremos e vamos continuar perdendo direitos”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Um dos pontos centrais do debate foi a reestruturação que tem sido promovida pela empresa e suas consequências nas condições de trabalho dos empregados. A gerente da  Gerência Nacional de Negociação e Relações de Trabalho (Gener), Maria Emília Pereira, informou que a reestruturação está suspensa e que a “primeira onda” previa as mudanças na Matriz, Giris e Girec e que elas já aconteceram.

A CEE/Caixa solicitou, então, que a Caixa informe oficialmente por escrito a todas as suas gerências e aos empregados a decisão de suspender a reestruturação (ou seria desestruturação?) e deixe claro que ela não pode ser usada mais como ferramenta de gestão. Os representantes dos empregados citaram casos em que a reestruturação tem sido usada para a perda de funções e cargos, como, por exemplo, na Centralizadora Nacional de Habitação e Garantias (Cehag), em São Paulo, onde 36 pessoas foram descomissionadas e sete foram orientados a “procurar” lotação em outros locais.

Confira abaixo outros pontos discutidos:

GT Funcef

A CEE/Caixa também cobrou a criação de comissão para discutir especificamente as questões da Funcef, o fundo de pensão dos empregados da Caixa. Na campanha de 2015, a empresa havia se comprometido em criar tal grupo, mas não levou adiante. Nesse caso os participantes reivindicam, por exemplo, que a Caixa se responsabilize integralmente pelo contencioso provocado por ações judiciais.

Saúde Caixa

Reembolso dos novos procedimentos – A CEE/Caixa solicitou esclarecimentos sobre o atraso no reembolso nas novas coberturas do Saúde Caixa. Os representantes da empresa disseram que a procura foi maior do que o sistema consegue processar e isso tem gerado o atraso no reembolso.

Extrapolação do teto de reembolso – A Caixa tinha dito que precisava de 90 dias (que terminou em julho) para adequar o reembolso às regras do Saúde Caixa, mas agora pediu mais 90 dias de prazo. Isso configura descumprimento do acordo coletivo e a Caixa, inclusive, pode ser responsabilizada judicialmente por isso.

Utilização do superávit do Saúde Caixa – Tanto no grupo de trabalho da Saúde quanto na mesa de negociação permanente houve consenso, ainda no ano passado, em torno de três medidas para utilizar parte do superávit do plano:  a redução de 20 para 15% a participação dos empregados, a inclusão de remoção por ambulâncias como um dos serviços a serem prestados e a implementação de um programa de qualidade de vida. Infelizmente, essas medidas não foram implementadas e até o momento o GT da Saúde não se reuniu para discutir a questão.

Login único no Sipon – A CEE/Caixa lembrou que não existe acordo para banco de horas, cobrou a implantação imediata do login único no Sipon e que a empresa evite a criação de horas extras negativas. Ao contrário de manifestações anteriores, a representante da Caixa afirmou que considera ilegal a utilização de horas extras negativas e que o Sipon é um instrumento usado única e exclusivamente para registro da jornada, uma clara mudança de ponto de vista. A má notícia é que a expectativa de implantação imediata não vai se realizar, já que a gestora afirmou que somente em janeiro começam os estudos para a implantação do login único.

Contratações – A crônica falta de pessoal na Caixa vai continuar. A gestora afirmou que não haverá novas contratações este ano, a não ser as determinadas pela Justiça e que será feita uma “equalização da força de trabalho” para suprir as carências de pessoal. A CEE/Caixa lembrou que a situação vai se agravar, já que mais de duas mil pessoas saíram somente nas duas fases do PAA neste ano.

Menor taxa para consignados

Está no acordo coletivo que o empregado da Caixa tem o direito a menor taxa praticada pela empresa para a concessão do crédito consignado e a CEE/Caixa cobrou o cumprimento do que está no aditivo ao acordo coletivo.

Agências digitais 

Segundo a Caixa, dos cinco pilotos previstos para a implantação da agência digital, apenas um está efetivamente funcionando, como um pré-piloto, e ainda não há previsão de quando os testes serão concluídos. O coordenador da CEE/Caixa disse que essa é uma grande preocupação, principalmente se for levar em conta a falta de pessoal na empresa.

Licença-paternidade

A CEE/Caixa cobrou a antecipação da concessão da licença-paternidade, que pelo acordo com a Fenaban começará a ser feita a partir de janeiro de 2017. Pela primeira vez a Caixa disse que aguarda a desoneração fiscal prevista, mas a representação nacional dos empregados acredita que a empresa tem todas as condições para fazer essa antecipação.

Participação dos sindicatos nas Sipats

A CEE/Caixa cobrou a participação das entidades sindicais na definição dos temas e organização das Semanas de Prevenção e Acidentes do Trabalho (Sipats).

Com informações da Agência Fenae

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