Caixa pretende desligar 10 mil empregados em novo PDV

Plano de Demissão Voluntária deve aumentar a sobrecarga de trabalho nas agências e prejudicar o atendimento ao cliente. Medida fortalece desmonte do banco, que sofre risco de privatização.

A Caixa anunciou nesta segunda-feira, 06, a abertura do Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE), pelo qual pretende desligar até 10 mil empregados. As adesões começam nesta terça-feira, 07, e vão até o dia 20 de fevereiro.

Na avaliação do Sindibancários/ES, “a medida avança sobre a estrutura do maior banco público do país, reduzindo gastos com empregados e tornando-o mais ‘atrativo’ para uma futura privatização – plano já anunciado pelo atual presidente do banco, Gilberto Occhi”, explica Vinícius Moreira, diretor do Sindicato e empregado da Caixa.

Segundo informações da Caixa, podem aderir ao programa os empregados aposentados pelo INSS até a data de desligamento, sem exigência de tempo mínimo de efetivo exercício na Caixa; ou  aptos a se aposentarem pelo INSS até 30 de junho de 2017, também sem exigência de tempo; ou com, no mínimo, 15 anos de trabalho no banco, no contrato de trabalho vigente, até a data de desligamento; ou ainda com adicional de incorporação de função de confiança, cargo em comissão ou função gratificada até a data de desligamento, também sem exigência de tempo na Caixa.

O incentivo financeiro é de 10 remunerações base do empregado, limitado a R$ 500 mil, considerando como data de referência o dia 31 de janeiro de 2017. O empregado, no entanto, não terá garantido o direito ao auxílio-alimentação e refeição.

Sobre o Saúde Caixa, o banco propõe a manutenção do plano somente para os trabalhadores já aposentados pela Previdência Social ou que vão se aposentar até 30 de junho, e empregados admitidos já na condição de aposentados pelo INSS com o mínimo de 120 meses de contribuição para o Saúde Caixa. No entanto, para os empregados que atendem as demais exigências o plano só será assegurado por 24 meses.

 Diante de um quadro já deficitário de pessoal, o PDVE deve intensificar a sobrecarga de trabalho e prejudicar o atendimento ao cliente. “A carência de empregados nas agências é alarmante, com pressão que atinge a todos. Ao Caixa reafirma uma gestão de terror, voltada apenas para os interesses de mercado, em detrimento da saúde de seus funcionários e do atendimento à população”, ressalta Vinícius.

A expectativa é de que com os cortes a Caixa economize R$ 1,8 bilhão ao ano a partir de 2018.

PDVE não é aposentadoria

Vale destacar que o programa não é um plano de aposentadoria. Portanto, os empregados que optarem pela adesão estarão se desligando da empresa, ficando sob sua responsabilidade o pagamento dos encargos relacionados a Funcef e INSS. Os desligamentos serão efetivados entre 14 de fevereiro e 8 março.

Bancários não devem aceitar pressão

Bancários e bancárias não devem se precipitar ou ceder à pressão dos gestores para aderir ao plano. É necessário ponderar todas as consequências do desligamento, como redução da verba mensal e a perda do plano de saúde.  Os empregados podem e devem contatar o Sindicato para amadurecer a decisão.

Desmonte

O PDVE da Caixa segue o exemplo da recente Reestruturação do Banco do Brasil, contribuindo para o desmonte dos bancos públicos operado pelo presidente Michel Temer.

 “A Caixa gere as principais políticas sociais do governo, como Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Seguro-desemprego, Pis e FGTS. Reduzir empregados compromete a prestação de serviços do banco, inclusive a gestão dessas políticas. Temos que fortalecer a defesa da Caixa 100% pública e a nossa luta por melhoria de condições de trabalho e mais contratações”, saliente Vinícius Moreira, diretor do Sindibancários/ES.

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