Caixa se curva ao mercado e amplia financiamento para imóveis milionários

Apesar de colocar restrições ao financiamento habitacional para pessoas de baixa renda, a Caixa anunciou que financiará imóveis de até R$ 3 milhões. A medida beneficia construtoras, incorporadoras e a parcela mais rica da população.

Desde 2015, a Caixa tem criado inúmeras restrições para financiamento habitacional para a população de baixa renda, principalmente para os imóveis custeados com recursos da poupança. No entanto, apesar do cenário de crise ser o mesmo, a partir da próxima segunda-feira, 25, a Caixa anunciou que irá financiar imóveis de até R$ 3 milhões pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), em que são utilizados recursos da poupança. O anúncio dessa medida deixa claro o perfil mercadológico da gestão de Occhi, sob o governo golpista de Temer.

Em maio deste ano, Temer chegou a revogar a portaria da presidente Dilma que ampliava o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Somente após forte pressão dos movimentos sociais, o presidente ilegítimo voltou atrás. Se para os programas habitacionais para população de baixa renda faltam recursos, para atender aos interesses do setor privado parece não haver empecilhos.

O valor que a Caixa passará a financiar para os clientes de alta renda é o dobro do limite atual, de R$ 1,5 milhão. As mudanças também preveem o aumento da parcela que pode ser financiada: para imóveis usados, de 60% para 70%; e para compra de imóvel novo, construção em terreno próprio, aquisição de terrenos e reforma ou ampliação, de 70% para 80%.

“Essa medida é somente para beneficiar, construtoras, incorporadoras e a parcela mais rica da população, além de ser mais uma forma de desviar recursos públicos para atender aos interesses da elite econômica desse país. A gestão de Occhi e do golpista Temer é voltada para mudar o perfil de uma instituição de 156 anos, cuja essência da criação foi beneficiar a população de baixa renda. Em três meses de gestão, Occhi aprofunda as medidas de transformação da Caixa em um banco meramente comercial. É preciso defender a Caixa desse ataque e defendê-la como banco 100% público”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Histórico de cortes

Em 2015, a Caixa elevou por três vezes a taxa de juros do financiamento habitacional e neste ano já houve novo aumento. Além disso, ainda em 2015, devido à queda na arrecadação da poupança o limite máximo para o financiamento de um imóvel usado foi reduzido de 80% para 50% do valor total, o que inviabillizou a compra da casa própria para milhares de trabalhadores.

No início deste ano, o governo Dilma já anunciava que, diante da crise econômica, a terceira fase do programa “Minha Casa, Minha Vida”, que prevê a construção de três milhões de moradias, teria menos recursos do governo federal e mais dinheiro do FGTS, ou seja, dos trabalhadores. Sob a gestão de Occhi, programas habitacionais como esse perdem cada vez mais recursos e a Caixa torna-se cada vez mais um banco comercial.

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Com informações da Fenae

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