Caixa se fecha para o diálogo na terceira rodada de negociação

Na terceira rodada de negociação específica da Caixa, realizada na última sexta-feira, 11, o banco negou novamente as reivindicações dos bancários e bancárias. Dessa vez, a Caixa disse “não” para os pontos relacionados à isonomia, ao fim do GDP, ao abono dos dias de paralisação em defesa da Caixa 100% Pública e à reversão dos […]

Na terceira rodada de negociação específica da Caixa, realizada na última sexta-feira, 11, o banco negou novamente as reivindicações dos bancários e bancárias. Dessa vez, a Caixa disse “não” para os pontos relacionados à isonomia, ao fim do GDP, ao abono dos dias de paralisação em defesa da Caixa 100% Pública e à reversão dos reflexos na carreira. A direção da Caixa também negou se posicionar contra do Projeto de Lei da terceirização (PL 4330/ PLC 030). As alegações são as mesmas dos encontros anteriores: respaldo por dispositivo legal ou limitação de recursos.

A pauta de reivindicações foi apresentada pela Contraf, a Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) e o Comando Nacional dos Bancários. Durante as três rodadas já realizadas, as respostas da Caixa foram sucessivos “nãos”, gerando um verdadeiro impasse nas negociações. A diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges, enfatiza que sem uma mudança de postura do banco não haverá avanços.

“O resultado dessa rodada demonstra que a Caixa continua sem disposição para debater e negociar. As questões apresentadas dizem respeito ao cotidiano dos bancários e a Caixa, simplesmente, se nega a discutir as propostas. A presidente da Caixa, Miriam Belchior, está mostrando que veio para enxugar os custos da empresa e aumentar o lucro. Além disso, está evidente que o objetivo é preparar a Caixa para uma eventual abertura de capital, com o enxugamento de empregados e a contenção de despesas apenas trabalhistas, como a proibição de substituições, a implantação do GDP e o aumento da terceirização”, destaca Lizandre.

A diretora do Sindibancários/ES enfatiza, ainda, que somente a mobilização da categoria irá reverter essa postura da Caixa e garantir avanços nesta campanha salarial. “Os bancários devem se mobilizar para fazer uma greve forte, se somente esse for o caminho para que a Caixa mude de postura. O bancário que bate ponto durante a greve, mesmo com a agência fechada, está reforçando essa postura intransigente do banco. Além disso, atitudes como essa fragilizam a luta da categoria, pois demonstram para o banco que não há coesão entre os trabalhadores”, diz Lizandre.

Isonomia

No debate sobre isonomia, a Caixa recusou a extensão da licença-prêmio e do anuênio (ATS) para todos os admitidos a partir de 1998. Os interlocutores do banco alegaram que a proposta é inviável por conta do elevado custo. Os membros da CEE/Caixa discordaram da argumentação da empresa, solicitaram o estudo que foi realizado em 2013, e lembraram que a não extensão desses benefícios gera uma divisão dentro da própria empresa.

Foram reivindicados ainda outros itens em relação a isonomia: o fim da discriminação dos empregados do REG/ Replan não-saldado; manutenção das gratificações dos empregados envolvidos em processos de apuração sumária, até que seja dado direito à ampla defesa; e revisão da Estrutura Salarial Unificada e Plano de Cargos e Salários da carreira administrativa com valorização salarial, entre outros.

Organização do Movimento

A Caixa não aceitou abonar os dias de paralisação realizados pelos trabalhadores em 27 de fevereiro, em defesa da Caixa 100% Pública, e nos dias 15 de abril e 29 de maio, contra o Projeto de Lei que escancara a terceirização, bem como a reversão dos reflexos na carreira. Para os membros da CEE/Caixa, a medida é uma forma de retaliar a mobilização dos trabalhadores.

Ainda, sobre o tema organização do movimento, o banco recusou a liberação dos delegados sindicais e representantes de entidades sindicais e associativas para participarem de reuniões, cursos, seminários, congressos e plenárias, quando solicitado pelos sindicatos; estabilidade e irremobilidade para os delegados sindicais suplentes; e a manutenção da função para todos os integrantes da CIPA, delegados sindicais e dirigentes sindicais pelo mesmo tempo de estabilidade e da inamovibilidade.

Segundo a CEE/Caixa, as entidades têm dificuldades de conseguir as liberações dos dirigentes. A empresa alegou que o pleito é uma interferência na gestão e não pode ser acatado.

Carreira

Na negociação dessa sexta-feira, 11, teve início o debate sobre apenas um ponto da minuta específica relacionado à carreira: Gestão de Desempenho de Pessoas (GDP). Os trabalhadores reivindicam o fim do GDP. E a resposta da Caixa foi a mesma das reuniões anteriores: o programa será mantido e a empresa pretende ampliá-lo até 2016.

Os representantes da categoria bancária também contestaram os sistemas de rankeamento no banco, uma vez que há informações de que a Caixa vai lançar um canal de acompanhamento individual de vendas, a ser utilizado nas avaliações do GDP.

Como não foi possível esgotar toda a pauta sobre carreira e nem debater as questões relativas ao Saúde Caixa, ficou definido que a próxima negociação agendada para sexta-feira, 18, será das 9 às 18h.

Intervalo de 15 minutos

Indagada sobre o intervalo de 15 minutos para mulheres, os interlocutores da Caixa informaram que o banco está cumprindo o que está previsto no artigo 384 da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Segundo a legislação, para fazer hora extra as trabalhadoras devem realizar esta pausa antes de iniciar a prorrogação do período de trabalho. A CEE/Caixa vai solicitar que as federações e os sindicatos debatam esse tema em suas bases.

Com informações da Fenae.

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