Caixa: seleção externa de vice-presidentes é ameaça à função pública do banco

Anúncio foi feito pelo Conselho de Administração do banco na última sexta-feira,10, e abre as portas do banco para a entrada de profissionais ligados ao mercado privado, afastando ainda mais o banco de seu função pública

Em mais uma medida de preparação da Caixa para a privatização, o Conselho de Administração do banco anunciou que os próximos vice-presidentes do banco serão escolhidos em processo seletivo externo, a ser conduzido por consultoria privada. A medida, a pretexto de reforçar a eficiência e fazer uma melhor gestão, mira na privatização como objetivo final, pois prevê que os cargos diretivos passem a ser ocupados prioritariamente por “técnicos” advindos do mercado.

“Defender a continuidade da Caixa como banco público é lutar pelo desenvolvimento econômico e social do nosso país. Nesse sentido, garantir que os gestores da Caixa sejam empregados de carreira do banco é assegurar que serão gestores comprometidos com o papel social da Caixa, ou seja, com a população, e não com os interesses do mercado privado que visa apenas o lucro. Abrir  importantes cargos como esses para pessoas que sequer tem história e identidade com a Caixa, é mais um golpe na tentativa de fragilizar o banco como empresa pública, preparando-o para a privatização. Não podemos aceitar, vamos resistir e intensificar nossa luta em defesa da Caixa 100% pública”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Rita Lima.

O novo processo seletivo para os postos de direção da Caixa é mais uma medida para destruir a necessidade de melhoria da governança nas empresas públicas. Ocorre que a fiscalização dos recursos públicos e uma gestão transparente são exigências da sociedade democrática e dos movimentos organizados, que sempre levantaram a reivindicação de defesa das empresas públicas e de sua atuação direta nas áreas sociais e no desenvolvimento do país.

A representante eleita dos trabalhadores no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano é contra a forma de seleção de vice-presidentes. “A melhor opção seria os dirigentes selecionados entre os empregados. Porque a Caixa conta com corpo funcional qualificado, formado por meio de concurso público, com médias de escolaridade e formação acima das demais instituições financeiras”, observa. “A melhor forma de combater a corrupção é ampliar os espaços para controle social”, completa.

Em defesa da Caixa 100% pública

A função profícua da Caixa e de outros bancos públicos é atender às necessidades da população, tendo como parâmetro o investimento em desenvolvimento. No governo de Michel Temer, porém, os bancos públicos federais vêm adotando os juros, as tarifas e os modelos dos bancos privados. Diante dessas ameaças recorrentes, a defesa da Caixa 100% pública continua na pauta das entidades representativas, pois a crença é de que banco público deve servir ao desenvolvimento do país em favor da população.

A alegação de que a Caixa é ineficiente precisa ser repudiada veementemente. O que se mira, na verdade, é uma empresa que cumpre um importante papel social e que tem sido protagonista na melhoria de vida da população, notadamente o setor mais pobre. Se há problemas no decorrer dessa trajetória, as soluções passam pela manutenção do caráter social e público do banco e pela valorização de todos os seus empregados.

Em 2017 foram a mobilização e a resistência dos empregados e de vários setores da sociedade que impediu a Caixa de tornar-se Sociedade Anônima. Agora, diante do processo de abertura de seleção para gestores da empresa, um novo desafio se impõe. É preciso ampliar a mobilização dos empregados e empregadas do banco, entidades sindicais e de outros setores da sociedade para barrar uma eventual privatização da Caixa, tendo em vista o que ela representa para a sociedade brasileira.

Com informações da Fenae

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