Caixa tem alta de 83,7% de lucro, mas com redução de papel social e investimentos

O banco teve lucro líquido 11,5 bilhões entre janeiro e setembro. Mais uma vez, resultado recorde foi obtido com retratação do crédito, mais tarifas e redução do número de empregados

De janeiro a setembro de 2018, a Caixa teve lucro líquido de R$ 11,5 bilhões, alta de 83,7% em 12 meses. Apenas no terceiro trimestre, foram R$ 4,8 bilhões, 122% a mais que no mesmo período de 2017. Na nota divulgada por conta do balanço, o banco se orgulha de ter superado o resultado projeto para o ano, de R$ 9 bilhões. É preciso, porém, destacar pontos que contribuíram para o desempenho, muitos deles ligados a prejuízos quanto à atuação da empresa.

“Essa alta exorbitante do lucro é as custas do adoecimento dos trabalhadores, da exploração dos clientes e da supressão do papel social da Caixa. A cada dia, a atual administração da Caixa aproxima a gestão do banco ao modelo das instituições privadas, como Itaú, Bradesco e Santander, cujo único objetivo é lucrar cada vez mais cobrando altas taxas de juros e serviços.  A Caixa é um banco público e como tal deve ter como compromisso principal promover o desenvolvimento social do país. Mas infelizmente, sob o comando de Ana Vescovi, presidente do Conselho de Administração do banco, a Caixa vem sendo esvaziada, sofrendo drástica redução de empregados,  precarizando o atendimento à população e ampliando a sobrecarga de trabalho sobre os empregados”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Os dados endossam essa afirmação. Em setembro, a carteira de crédito ampla alcançou saldo de R$ 693,8 bilhões, redução de 2,6% em 12 meses. No primeiro semestre, a queda já havia sido de 2,9%. O terceiro trimestre de 2018 fechou com crescimento de 8,7% nas receitas com prestação de serviços, o que significa clientes pagando mais tarifas. Também houve queda de 7,1% nas despesas com pessoal, novamente com redução do número de empregados e agências.

“É preciso fortalecer e ampliar a mobilização dos trabalhadores. A Caixa já vem sofrendo sucessivos ataques de desmonte da sua estrutura enquanto banco público, como a nomeação de profissionais externos ao banco para cargos de vice-presidência e diretorias e o leilão da Lotex.  Não podemos  e não vamos aceitar esse desmonte da Caixa”, enfatiza Lizandre.

Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração do banco, destaca que o papel da instituição no desenvolvimento tem sido desvalorizado. “Tudo isso colaborou para que a crise econômica e o desemprego se mantivessem altos. Afinal, quem investe de fato no país são as empresas públicas, sem isso não há desenvolvimento. Bancos privados são verdadeiras sanguessugas, ganham com a especulação, e não existe retorno para a sociedade”, frisa.

Para Rita Serrano, que também é da Diretoria da Fenae, é assustador ainda o fato de que parte da população, manipulada pela grande imprensa, avalie que o modelo privado é o ideal. “Com certeza é ideal, mas para o dono do banco, e não para um país carente como o nosso”, compara. Ela concorda que o momento é de resistência. “Vamos continuar defendendo a Caixa pública, sustentável e focada no desenvolvimento”, garante.

Não tem sentido

A Fenae lançou em outubro a campanha “Não tem sentido”. O objetivo é mobilizar empregados e sociedade em geral, mostrando que o banco precisa continuar 100% público, forte, social e a serviço dos brasileiros. Pelo www.naotemsentido.com.br, é possível enviar vídeos ou escrever depoimentos apoiando a iniciativa. Um manifesto foi divulgado por ocasião do lançamento da campanha.

No site já estão publicadas gravações de personalidades e dirigentes do movimento dos trabalhadores, entre eles Jessé de Souza, Luiz Gonzaga Belluzzo, Emir Sader, Gilberto Bercovici, Esther Dweck, Jair Pedro Ferreira, Sérgio Takemoto (vice-presidente da Federação) e Juvandia Moreira (presidente da Contraf-CUT). “Vídeos enviados por pessoas de todo o país estão ampliando nossa luta”, frisa o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Acesse o site e participe!

Com informações da Fenae

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