Caixa tem aumento no número de clientes mas não amplia contratações

A Caixa apresentou o lucro trimestral em 2014 de R$ 1,5 bilhão, um crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o banco público mostrou aumento de lucros com crescimento de clientes e de empregados. Mas, enquanto o número de clientes cresceu 10,8% e o número de contas aumentou […]

A Caixa apresentou o lucro trimestral em 2014 de R$ 1,5 bilhão, um crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 12 meses, o banco público mostrou aumento de lucros com crescimento de clientes e de empregados. Mas, enquanto o número de clientes cresceu 10,8% e o número de contas aumentou 12,4% em um ano, a quantidade de postos de trabalho se expandiu bem menos: 5,2%, no mesmo período.

“A Caixa continua a lucrar em cima da exploração e adoecimento de seus empregados. Apesar de ser um banco público, a Caixa visa apenas a lucratividade, em detrimento de boas condições de trabalho para os bancários e de seu papel como banco público e comprometido com o desenvolvimento social do país”, destaca a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Lucros

O balanço mostra que o crescimento da lucratividade veio do aumento das receitas de crédito, de tarifas e de títulos. As receitas financeiras de crédito subiram 46,4%, totalizando R$ 14,5 bilhões, e foram reflexo do crescimento de 33,1% da carteira.

Já os ganhos vindos de prestação de serviços e tarifas aumentaram 13,4% e foram influenciados pelo acréscimo de volume de negócios com clientes. Outro fator a contribuir com o lucro foi o crescimento em 51,3% do resultado de tesouraria (TVM), operações de títulos e valores mobiliários, que alcançou R$ 6,1 bilhões. O avanço desse item, que resulta das transações com títulos públicos e privados, explica-se, em grande parte, aos últimos aumentos da Selic, taxa básica de juros da economia.

O resultado bruto da intermediação financeira alcançou R$ 5,8 bilhões, um crescimento de 28,9% em relação ao primeiro trimestre de 2013. O resultado operacional foi de R$ 2 bilhões, um avanço de 42,9 % em 12 meses.

Por sua vez, o patrimônio líquido totalizou saldo de R$ 34,7 bilhões no primeiro trimestre de 2014, uma variação de 38,7%. Já os ativos totais administrados, que compreendem toda a destinação de recursos da instituição, seja com recursos próprios ou de terceiros, alcançaram R$ 1,6 trilhão, variação de 24,4%, todos em relação ao 1º trimestre de 2013.

Empregos

Os lucros também vieram com expansão de vagas. O número de empregados na Caixa cresceu 5,2% em um ano, passando de 94.406 mil para 99.299 mil, em março de 2014. Mas esse aumento ainda é bem inferior ao número de bancários que é necessário contratar.

“As novas contratações não atendem a demanda de funcionários que há nas agências. Os bancários estão sobrecarregados e adoecem cada vez mais, devido ao excesso de trabalho, à cobrança pelo alcance de metas, entre outros fatores”, afirma Lizandre.

Clientes

De janeiro a março, mais de 2,1 milhões de correntistas e poupadores foram conquistados pelo banco. No total, são 73,7 milhões na base de clientes da instituição. O número representa um crescimento de 10,8%.

As receitas de prestação de serviços e rendas de tarifas bancárias registraram R$ 4,3 bilhões no primeiro trimestre de 2014, valor 13,4% superior, também influenciado pelo aumento do volume de negócios.

A Caixa esteve oito vezes entre os cinco bancos mais reclamados pelo Banco Central, em 12 meses, de março de 2013 a março de 2014. Em grande parte, o aumento do número de clientes na Caixa se dá pela expansão de correspondentes bancários, como destaca Lizandre.

“A Caixa faz convênio com esses correspondentes para tirar a população de baixa renda de dentro das agências. Com isso, ela cumpre a política do Governo de bancarizar esse público, mas o coloca exposto a riscos e ao atendimento precário, devido à falta de segurança das agências e à ausência de estrutura adequada. Além disso, todo o trabalho dos correspondentes bancários é absorvido pelas agências, que continuam com escassez de empregados. O que deveria ocorrer era o número de empregados crescer mais rapidamente do que o de correspondentes bancários”, diz.

Nos primeiros três meses do ano passado, com a receita de prestação de serviços e tarifas, era possível pagar 100,3% do pessoal. No primeiro trimestre de 2014, essa receita – que é secundária num banco – passou a cobrir 99,3% do investimento em pessoal.

Com informações de http://www.spbancarios.com.br/

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