Trabalhadores e trabalhadoras dizem não à Reforma da Previdência em marcha pelas ruas de Vitória

As mobilizações ocorreram em todo o país em protesto contra a retirada de direitos trabalhistas

Os trabalhadores e trabalhadoras marcharam da praça de Goiabeiras rumo ao aeroporto

Em marcha que saiu da Praça de Goiabeiras e seguiu rumo ao Aeroporto de Vitória, diversos trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo protestaram contra a Reforma da Previdência, que está em tramitação no Congresso Nacional. A iniciativa fez parte de uma mobilização nacional, ocorrida nesta quarta-feira, 15, em vários estados brasileiros.

A proposta de reforma apresentada pelo governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB) retira direitos conquistados pela classe trabalhadora com muitas lutas. Entre as propostas contidas na Reforma da Previdência está a exigência da idade mínima para a aposentadoria. De acordo com o proposto, para um trabalhador se aposentar aos 65 anos de idade, com 100% da média de remuneração, terá que começar a trabalhar aos 16 e contribuir durante 49 anos ininterruptos. A idade de 65 anos vai subir na medida em que aumentar a expectativa de vida. Na prática, os mais pobres e os trabalhadores rurais, que têm mais dificuldade de comprovar a contribuição, só conseguirão se aposentar a partir dos 70 anos.

“As consequências serão não somente para as pessoas que estão na ativa, mas principalmente para a juventude, que não terá direito à aposentadoria. A expectativa de vida em muitas regiões do país é menor do que a idade mínima estipulada pela proposta de reforma para ter direito à aposentadoria. Muitos vão contribuir a vida inteira, trabalhar e morrer antes de se aposentar. É preciso mobilizar e cobrar dos parlamentares um posicionamento contrário à proposta de Temer”, diz o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.

Bancários e bancárias participaram da marcha

Entre as centrais sindicais presentes na marcha está a Intersindical – Central da Classe Trabalhadora. Um de seus representantes, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão, defendeu a união dos sindicatos, centrais e movimentos sociais para barrar a Reforma da Previdência.

“A intersindical, junto com outras centrais, tem pressionado os deputados e senadores contra o desmonte da previdência, capitaneado por Temer e seus aliados. Também estamos unidos contra todo tipo de opressão, como a homofobia e o machismo. Inclusive, as mulheres, que já sofrem com a desigualdade no mercado de trabalho, sofrerão mais ainda caso a reforma seja aprovada. Devemos lutar juntos por um novo modelo econômico e social, onde o ser humano esteja no centro”, destaca Carlão.

A desigualdade sofrida pela mulher está presente, por exemplo, no fato delas cumprirem dupla jornada de trabalho diário, ganharem menos e trabalharem cerca de 39 dias a mais que os homens por ano. A cada 10 anos é como se tivessem trabalhado 1 ano a mais que eles. Com a Reforma da Previdência, como a idade mínima para se aposentar aumentaria, aconteceria o mesmo com o tempo de contribuição. Diante do papel de cuidado atribuído à mulher na sociedade patriarcal e do fato dela ganhar menos, caberia a ela ficar em casa cuidando dos doentes e idosos da família, que estarão fora da seguridade social por mais tempo. No decorrer dos anos, a mulher teria que escolher entre continuar no mercado de trabalho ou ficar em casa cuidando desses familiares.

Trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias profissionais participaram da marcha, como a professora da rede municipal de ensino da Serra Charlene Ribeiro Amorim.

“Nós estamos vendo nossos direitos se perdendo de uma tacada só por causa do atual presidente, que em vez de tomar iniciativas que beneficiem o trabalhador está destruindo a classe trabalhadora. Entendo também que não se trata de direitos de uma categoria, mas de todas. Temos que avançar nos nossos direitos, e não retroceder. Não podemos aceitar isso”, diz Charlene.

Trabalhadores e trabalhadoras do campo presentes na marcha

A coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) Ednalva Andrade relata as consequências que a Reforma da Previdência pode trazer para os agricultores, agricultoras e para a economia dos municípios do interior.

“Com as mudanças climáticas, nem sempre o agricultor consegue viver de sua produção, que fica prejudicada em época de estiagem e crise hídrica, por exemplo. Então, uma das rendas que garante o sustento do trabalhador rural é a sua aposentadoria. Além disso, muitas cidades do interior do Brasil são rurais, vivem da agricultura. O recurso da aposentadoria dos agricultores e agricultoras movimenta o comércio, pois eles compram ali mesmo, naquela localidade, aquilo que precisam, aquecendo a economia local”, diz Ednalva.

Com as consequências negativas relatadas por Ednalva em relação à economia dos municípios do interior, haverá também o desestímulo para os jovens permanecerem no campo, provocando o êxodo rural. Além disso, por começarem cedo nas lavouras e ficarem expostos a sol e chuva, hoje os trabalhadores rurais têm 5 anos a menos na idade mínima e pagam contribuição sobre a venda dos produtos agrícolas. Temer quer exigir 25 anos de contribuição individual e 65 anos de idade, algo inviável para a realidade do agricultor.

Reforma Trabalhista

O governo Temer não quer destruir somente a aposentadoria, mas exterminar diversos outros direitos. Por meio da Reforma Trabalhista (PL 6.787/16) ele tem como objetivo o desmonte da CLT com iniciativas como terceirização irrestrita, ampliação de contratos temporários para oito meses, entre outros.

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