Capixabas ocupam ruas de Vitória contra a retirada de direitos

Ato teve início na Praça Oito e tomou as ruas da capital reafirmando a luta em defesa dos direitos das mulheres e de todos os trabalhadores

Centenas de mulheres ocuparam as principais avenidas do Centro de Vitória na manhã deste 08 de Março – Dia Internacional da Mulher -, na marcha “As capixabas vão parar! Contra a Reforma da Previdência e nenhum direito a menos”. O ato teve início na Praça Oito, no Centro, e seguiu até o INSS, na avenida Beira Mar. Durante todo o percurso, as capixabas denunciaram as tentativas de retiradas de direitos, o machismo, a opressão e as inúmeras situações de violência as quais as mulheres estão submetidas.

Com gritos de “Fora Temer” e “Fora Hartung”, as mulheres também protestaram contra as propostas de Reformas Trabalhista e da Previdência impostas pelo golpista Temer e que também com o apoio do governador Paulo Hartung. Mulheres trabalhadoras, do campo e da cidade, reafirmaram a luta em defesa dos direitos das mulheres e de todos os trabalhadores.

“Nós, mulheres bancárias, ocupamos as ruas hoje em protesto contra toda forma de violência contra as mulheres, a opressão e preconceito que sofremos no dia a dia, no trabalho e, muitas vezes, na nossa própria casa. Nossa luta também é em defesa do Banestes público e estadual, pois sabemos que uma possível privatização do banco trará graves consequências principalmente para as mulheres. Hoje, nós dizemos “basta” às inúmeras tentativas de retirada dos direitos das mulheres, como a reforma da Previdência e a Trabalhista”, enfatizou a diretora do Sindibancários/ES, Claudia Garcia de Carvalho.

A marcha também fez parte da Greve Internacional, que envolveu mulheres de todo o mundo na luta contra o machismo, como destacou a integrante do Fórum de Mulheres do Espírito Santo, Emilly Marques Tenório. “Estamos nas ruas para reafirmar nossa luta em defesa dos nossos direitos, para dizer que não queremos ser homenageadas, mas sim viver e sermos respeitadas. O Espírito Santo sempre aparece no topo dos rankings da violência contra as mulheres. Por isso estamos na luta contra toda essa violência que nos mata todos os dias”.

“Não” à Reforma da Previdência

Em frente ao INSS, as mulheres realizaram uma intervenção teatral e reafirmaram a luta contra a Reforma da Previdência. “Em nome da Intersindical e de todas as mulheres bancárias participamos de mais um ato de luta contra todas as formas de opressão e de exploração das mulheres. Nós, mulheres, paramos hoje porque não aceitamos nenhum direito a menos, porque não aceitamos mais ver nosso trabalho desvalorizado, paramos contra os homicídios das mulheres e reafirmamos, mais do que nunca, Fora Temer”, destacou a diretora da Intersindical, Rita Lima.

Para as trabalhadoras do campo, a reforma da Previdência proposta por Temer impõe consequências ainda mais graves, já que não haverá mais seguridade especial para trabalhadores do campo e a idade mínima entre homens e mulheres será a mesma, de 65 anos. Esse foi o principal ponto destacado pela diretora de Formação e Organização Sindical da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Espírito Santo (Fetaes), Augusta Búfalo.

“As pessoas que serão mais prejudicadas com essa reforma do golpista Temer serão as mulheres, principalmente as trabalhadoras rurais, e os jovens. Por isso, ocupamos as ruas hoje para soltar nosso grito de protesto contra essa reforma imposta pelo golpista Temer, um proposta cruel, opressora, principalmente com as mulheres do campo”, frisou Augusta.

Saiba mais sobre a Greve Internacional das Mulheres

Não é a primeira vez que as mulheres se unem numa greve contra o patriarcado. Em 1975, na Islândia, 90% das mulheres da Islândia fizeram uma greve nos locais de trabalho e se recusaram a realizar trabalho social não remunerado durante um dia. Assim, elas poderiam tornar visível o trabalho e a contribuição das islandesas para a sociedade. Entre as reivindicações femininas estavam salários iguais aos dos homens e o fim à discriminação sexual no local de trabalho.

Algo parecido aconteceu mais recentemente, em 2016, quando mulheres polonesas organizaram uma greve para impedir a aprovação de um projeto de lei no parlamento que proibisse o aborto. Também no ano passado as argentinas realizaram uma greve para protestar contra a violência à mulher.

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