Capixabas pedem fora Temer e eleições diretas para presidente

Após nova delação da Operação Lava com graves denúncias contra Temer, as ruas de Vitória foram tomadas por manifestantes na noite dessa quinta-feira, 18, em um grande ato pela saída de Temer da presidência e por eleições diretas já

Vitória também foi às ruas nessa quinta-feira para gritar fora Temer e diretas já! Mais de duas mil pessoas saíram em marcha da UFES em direção à Assembleia Legislativa, fortalecendo as mobilizações nacionais que aconteceram em todo o País, convocadas por movimentos sociais e centrais sindicais após denúncias envolvendo o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Diretoras e diretores do Sindibancários/ES também foram às ruas fortalecer o grito “Fora Temer”

Durante o ato, o diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda, classificou o momento como histórico e disse que poucas vezes ficaram tão evidentes as relações intrínsecas entre o grande empresariado e o Estado brasileiro.

“Há décadas os mesmos grupos empresariais são os que financiam as campanhas eleitorais e os esquemas de corrupção. Quem quer que seja o governo ou o ator político à frente do Estado, são as empresas que dão as cartas. Aqui no ES, com Paulo Hartung e sua ONG Espirito Santo em Ação, que reúne os grandes empresários desse Estado, não é diferente. É uma máfia empresarial que planeja e executa a política de governo. Por isso temos que lutar pelo Fora Temer e por diretas já. Mas depois de eleito um novo governo, a classe trabalhadora tem que dobrar a sua mobilização, porque os trabalhadores têm que voltar a se entenderem como sujeitos principais dessa história”, disse Thiago, que também representa a Intersindical -Central da Classe Trabalhadora.

Novos atos no domingo

Um novo ato está sendo convocado em conjunto pelas Frentes Povo Sem Medo, Brasil Popular e centrais sindicais para o próximo domingo, 21. O objetivo é intensificar as mobilizações pela retirada imediata das reformas trabalhista e da Previdência, que desmontam os direitos sociais, pela anulação do projeto de trabalho temporário e da lei da terceirização sancionadas por Temer, pela derrubada de Temer e para que prevaleça a democracia, por meio de eleições diretas e com o povo nas ruas.

Já no dia 24, está confirmada a grande ocupação de Brasília e as mobilizações em todos os Estados. Uma nova greve geral, a exemplo da que aconteceu no último 28 de abril, não está descartada.

Denúncia

A nova delação da operação Lava Jato, que envolve diretamente o presidente golpista Michel Temer e o deputado Aécio Neves aumentaram a revolta popular e o conflito social social no País, fragilizando ainda mais um governo que se mantinha apenas por um acordo das elites, que buscavam dar celeridade à flexibilização das leis trabalhistas brasileiras.

Michel Temer foi acusado em delação feita pelo dono da empresa JBS (grupo mantenedor da Friboi), Joesley Batista, de comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, cassado no ano passado. As denúncias vieram à tona na última quarta-feira, 17, e gravações de conversa entre Temer e Joesley comprovam o envolvimento do presidente.

Aécio Neves (MG), um dos principais aliados de Temer, também virou alvo do escândalo e foi afastado na manhã desta quinta-feira, 18, do seu mandato de senador. A decisão foi do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin.

A Procuradoria Geral da República (PGR) também pediu a prisão de Aécio, mas Fachin decidiu encaminhar o caso para apreciação do plenário do Supremo. Reportagem publicada pelo jornal “O Globo” revelou que o dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, entregou à PGR uma gravação na qual Aécio pede ao empresário R$ 2 milhões, valor pago em dinheiro vivo, em parcelas de R$ 500 mil.

No áudio gravado por Joesley, com duração de cerca de 30 minutos, o presidente nacional do PSDB justifica o pedido dizendo que precisava da quantia para pagar sua defesa na Lava Jato. O senador tucano é alvo de seis inquéritos no Supremo relacionados à operação.

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