Cerca de 20 mil postos de trabalho bancário foram extintos em 2016

Somente o programa de incentivo à aposentadoria do Banco do Brasil foi responsável pela eliminação de 10 mil empregos em 2016

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em 2016, os bancos extinguiram 20.553 postos de trabalho. Destes, 9.028 apenas em dezembro. Em 2015 o saldo negativo atingiu 9.886 empregos, menos da metade do registrado ano passado. O saldo de dezembro foi influenciado pela reestruturação no Banco do Brasil, que através do Programa Extraordinário de Aposentadoria Incentivada (PEAI) eliminou 10 mil empregos.

De acordo com a diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Goretti Barone, muitos trabalhadores e trabalhadoras do BB se aposentaram sem ter tempo de contribuição no INSS, somente pela Previ. Ela acredita que o processo de reestruturação não traz benefícios nem para os bancários e bancárias nem para a instituição financeira.

“O programa de incentivo à aposentadoria, por exemplo, está na contramão do desenvolvimento do país, pois por meio dele se perde a cultura da empresa, o saber, o conhecimento, a história. Também é uma agressão a forma violenta e cruel como foi feito, já que os trabalhadores e trabalhadoras tiveram o prazo irrisório de 20 dias para tomar uma decisão que iniciaria um novo ciclo em suas vidas. Além disso, as pessoas que continuaram no banco estão inseguras e ainda mais sobrecarregadas. É uma contradição um banco público contribuir para dobrar o número de postos de trabalho reduzidos de um ano para outro”, diz Goretti.

Para a também diretora do Sindibancários, Lizandre Borges, em 2017 a Caixa é quem alavancará ainda mais o número de postos de trabalho extintos. “A Caixa anunciou o Plano de Apoio à Aposentadoria e o Plano de Demissão Voluntária. A previsão é de que pelo menos 10 mil pessoas sejam desligadas do banco. Nos bastidores, fala-se em até 20 mil. As reestruturações no BB e na Caixa são um atentado aos bancos públicos, que precisam ter infraestrutura, incluindo um bom quadro de recursos humanos, para possibilitar que cumpram sua função social”, afirma Lizandre.

Além do corte nos postos de trabalho, a realidade no sistema financeiro é de rotatividade. Em 2016, os trabalhadores admitidos em instituições financeiras ingressaram recebendo em média 54% do que ganhavam os bancários que deixaram os bancos.

 

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