Chá de Conversa envolve bancários e bancárias na discussão do parto humanizado

Ervas com aromas diversos enriqueceram o bate-papo, que correu fluido e nutritivo como os chás, servidos durante toda a atividade     “Parto não é uma coisa que se venda. É uma relação de respeito com a mulher que está ali e com o bebê que está para nascer”. Assim a doula Grazi Duda abriu o […]

Ervas com aromas diversos enriqueceram o bate-papo, que correu fluido e nutritivo como os chás, servidos durante toda a atividade    

“Parto não é uma coisa que se venda. É uma relação de respeito com a mulher que está ali e com o bebê que está para nascer”. Assim a doula Grazi Duda abriu o Chá de Conversa, projeto de diálogo promovido pelo Sindicato dos Bancários/ES que debateu na noite nesta terça-feira, 26, o parto humanizado. Grazi é integrante do grupo Zalika, que atua na formação e acompanhamento de gestantes promovendo a humanização do parto.

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Segundo ela, hoje o Brasil é o campeão mundial de realização de cesáreas, e maioria das mulheres é levada a fazer o procedimento por informações equivocadas, muitas vezes para benefício da própria equipe médica, que prioriza a velocidade do procedimento. “A média nacional de cesáreas é de 56%. Na saúde privada, é de 90%. A taxa ideal considerada pela comunidade médica internacional e recomendada pela Organização Mundial de Saúde é entre 10% e 15%”.

Grazi questiona a imposição de um saber médico que, ao longo dos anos, foi se contrapondo ao saber popular e ao conhecimento da mulher sobre o próprio corpo. “De modo geral, os médicos lidam com a mulher grávida como se ela não soubesse de nada. Se nas primeiras consultas ela indica que quer ter um parto normal, eles logo dizem ‘está muito cedo pra gente falar sobre isso. Deixa que a parte do parto a equipe toma conta’. Mas o parto é de quem? É da mulher. É ela quem realiza o parto. A equipe médica está ali para intervir caso seja necessário”. 

O respeito aos desejos das mulheres é apontado como elemento central da humanização do parto – condição básica para romper com a violência obstétrica vivenciadas pelas gestantes, que se expressa de forma psicológica, como em comentários grosseiros feitos pela equipe hospitalar, e também física, como na episiotomia, corte feito entre a vagina e o ânus, em tese para facilitar a passagem do bebê. “São muitos exemplos de violência desde a entrada no hospital. Primeiro a mulher recebe medicação no soro para aumentar as contrações, o que faz com que ela sinta mais dor. Muitas vezes ela ouve ‘gracinhas’ do tipo ‘pare de gritar’, ‘daqui a nove meses ela estará aqui de novo’. A imposição do jejum, da posição deitada, o isolamento da família, a episiotomia, são procedimentos muitas vezes desnecessários e que fazem do parto um momento inclusive traumático”, explica Grazi.

Durante o bate-papo, os participantes conversaram também sobre os mitos em torno da gravidez, entre eles a dor no parto. “O mesmo hormônio que causa as contrações e a dor, a ocitocina, é também condutor da endorfina, que por sua vez proporciona prazer e bem estar. É muito comum ver mulheres que, passado o momento da contração, sintam prazer. Algumas chegam até mesmo ao orgasmo ao parir, é o chamado parto orgásmico. Ora, parto é algo que está intimamente ligado com a sexualidade feminina”, explica Grazi.

A bancária do Banco do Brasil Suellen Suzano participou do evento e compartilhou as expectativas sobre o tema. “Sempre tive medo de parto, de barriga, mas já acompanhei muitas amigas falando sobre experiências boas e ruins com o parto. É necessário que a gente faça um trabalho de expandir esse debate, até para que as mulheres possam decidir sobre isso de forma mais consciente”, diz Suellen.

A diretora do Sindibancários/ES Lucimar Barbosa, que é mãe de três filhos, diz que o debate lhe permitiu resignificar os sentidos da palavra parir. “Falar sobre parto humanizado é falar sobre a reprodução da vida, sobre como viemos ao mundo, e discutir a responsabilidade social que temos com isso. Por isso diz respeito a todos. Refletir coletivamente sobre o ato de nascer e de trazer uma nova vida contigo é também tirar do âmbito privado as violências que envolvem esse processo, o que pode ser um primeiro passo para superá-las. Participar desse debate fez com que até a palavra parir ganhasse pra mim um novo significado”, salienta.  

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Projeto terá novas edições

Quem não pôde comparecer poderá participar de outras edições do projeto, basta ficar ligado na agenda de atividades do Sindicato. “O Sindicato realizará novas edições do Chá de conversa ao longo do ano, trazendo a cada oportunidade um tema diferente sobre sexualidade, direitos femininos e igualdade de gênero. Estamos realizando também edições itinerantes nas agências, levando um pouco desse debate para dentro do local de trabalho. Bancárias e bancários que tiverem interesse podem procurar o Sindicato para promover o evento na sua unidade”, explica Evelyn Flores, diretora do Sindibancários.

 

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