Sindicato vai discutir desfiliação da CUT

Fortalecer o sindicalismo autônomo e comprometido com os trabalhadores é premissa da atual gestão do Sindicato.

A direção do Sindibancários/ES quer discutir com a categoria a desfiliação da CUT. Quatro assembleias serão realizadas em maio para tanto: em Colatina e em Cachoeiro de Itapemirim nas respectivas subsedes e, em Linhares, na Escola Bartouvino Costa, Centro, no dia 10, às 18 horas. Em seguida em Vitória, no dia 11, no Centro Sindical dos Bancários, no mesmo horário.

A proposta de desfiliação dá continuidade ao projeto acolhido majoritariamente pelos bancários capixabas na última eleição sindical, que confiou à gestão uma atuação independente de governos e comprometida com a luta democrática pela valorização da categoria e a ampliação de direitos expressa pela Intersindical – Central da Classe Trabalhadora.

“A assembleia vai legitimar um compromisso de campanha já acolhido na eleição desta diretoria”, explica Dérik Bezerra, diretor do Sindicato.

A assembleia, dessa forma, vai votar a desfiliação da CUT e a filiação à Intersindical.

A diretoria do Sindicato comprometeu-se a lutar pela valorização da categoria e por melhores condições de trabalho.

“Defender o emprego, combater as metas e o assédio, a terceirização, lutar por igualdade de oportunidades, isonomia, valorização e respeito à juventude e aos aposentados são nossas motivações e precisamos ter uma central autônoma para isso”, aponta Rita Lima, bancária da Caixa e dirigente sindical.

CUT enfraquece lutas

Ao sustentar os governos do PT, a CUT abriu mão de suas referências na esquerda e deixou de lutar por reivindicações preciosas aos trabalhadores, inclusive aos bancários. As correntes cutistas no movimento sindical bancário têm rebaixado a pauta da categoria, desmobilizando as lutas nas campanhas salariais ao aceitar os arrochos e os desmontes operados pelo governo petista.

Não podemos legitimar uma entidade que em 2013 apoiou o projeto de incorporação do Banestes ao Banco do Brasil e que, aliada ao governo, arrochou as condições de trabalho dos bancários, principalmente na Caixa e no BB, e deixou nosso salário derreter em mesa de negociação, enquanto os bancos lucram bilhões”, explica Jessé Alvarenga, coordenador geral do Sindibancários/ES.

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Bancários ficam mais fortes com a Intersindical

Fundada em 2014, a Intersindical defende a liberdade, a autonomia e a independência política das entidades, questionando a atual estrutura sindical. Ela encampa as lutas dos trabalhadores,  combate todas as formas de opressão e defende um novo projeto para o Brasil. A Intersindical é mantida com as contribuições financeiras das entidades filiadas e reverte tal investimento às lutas da classe trabalhadora.

“A Intersindical se mantém firme na defesa dos direitos dos trabalhadores e age de forma coordenada com outros sindicatos combativos construindo um movimento em que nossos interesses não são subjugados à sustentação da política neoliberal do governo que adoece os bancários, empobrece os trabalhadores e o Brasil”, aponta Idelmar Casagrande, diretor do Sindicato e da direção nacional da Intersindical.

Não há isolamento no Comando Nacional de Greve

A desfiliação não deixará os bancários capixabas isolados em mesa de negociação, nem promoverá perda de direitos.  Nos últimos 9 anos o Sindicato dos Bancários/ES representou os bancários capixabas e a Intersindical no Comando Nacional da categoria, estando à frente das negociações da mesa única da Fenaban e das mesas específicas dos banco públicos federais. Nesse período, a postura dos nossos representantes foi de defesa intransigente dos interesses dos bancários e de autonomia política frente a partidos, patrões e governos. Atualmente, Jessé Alvarenga, o coordenador geral do Sindibancários/ES, lidera as negociações no Comando pela Intersindical.

A atuação dos dirigentes capixabas mostrou que é possível garantir a unidade sem rebaixar as propostas da categoria. Com firmeza e ética, os representantes da Intersindical fortaleceram a atuação do Comando, mas souberam fazer as críticas necessárias no intuito de preservar a autonomia e o respeito às decisões da base.

Autonomia contra o arrocho

O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) listou em março 25 Projetos de Lei em tramitação na Câmara e no Senado que avançam sobre os trabalhadores brasileiros e vão impor perdas irreversíveis às conquistas expressas pela CLT.

Os bancários serão impactados com a aprovação da lei da terceirização (PLC 30), a redução da jornada com redução de salário, com a extinção da multa de 10% em demissões sem justa causa, a desregulamentação do trabalho intermitente, entre outros (veja a lista completa em nosso site). Tais projetos precisarão ser combatidos pelos bancários com independência de partidos e governos.

“A presidente Dilma se aliou ao mercado ao impor o pacote fiscal e se afastar das forças populares que a elegeram. Conhecidas as caras dos deputados e  dos senadores, esses projetos devem ser aprovados ao sabor dos interesses dos empresários industriais e financeiros, da bancada da bala e do agronegócio. Se o golpe se concretizar, a situação será ainda mais drástica. Conquistas preciosas podem ser rifadas com a mesma velocidade com que Eduardo Cunha se livra dos processos por corrupção. Precisamos nos organizar numa central independente de governos e patrões para lutar contra o desmonte dos direitos da classe trabalhadora, simbolizado pela austeridade em curso e prestes a ser intensificado com um governo ilegítimo”, propõe Carlos Pereira Araújo (Carlão), diretor do Sindicato.

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