Com demissões e aumento de tarifas, Caixa tem lucro recorde

Resultado obtido à custa de mais tarifas, menos empregados e precarização das condições de trabalho comprova que o banco perde cada vez mais o seu caráter social e se aproxima das práticas de instituições privadas.

O balanço do primeiro semestre da Caixa Econômica Federal, divulgado na última segunda-feira, 20, confirma o que o Sindibancários/ES, a Fenae e muitas outras entidades representativas dos empregados vem denunciando: o banco está perdendo cada vez mais o seu caráter social e se aproximando das práticas de instituições financeiras privadas.

De janeiro a junho de 2018, o lucro líquido da Caixa foi de R$ 6,7 bilhões, avanço de 63,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Trata-se do melhor resultado da história. Entre os itens enaltecidos na divulgação feita pelo próprio banco estão, nos últimos 12 meses, o recuo de 2,9% na carteira de crédito ampla, o aumento de 6,5% nas receitas com prestação de serviços e a redução de 7,5% nas despesas de pessoal.

“É absurdo que ao mesmo tempo que divulga o maior lucro da história, na mesa de negociação a Caixa só oferece retirada de direitos para seus empregados”, critica Lizandre Borges, diretora do Sindibancários/ES, ressaltando que, na mesa de negociações o banco vem ameaçando a sustentabilidade do Saúde Caixa, a não pagar a PLR Social e outros direitos estabelecidos no Acordo Coletivo de Trabalho específico dos bancários da Caixa.

Em 12 meses, a Caixa fechou 3.777 postos de trabalho através do Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA) e do Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE). Encerrou o primeiro semestre com 86.424 empregados. Desde 2010, a Caixa não tinha registrado um número tão baixo em seu quadro. Além disso, em um ano, o banco fechou 66 agências/postos de atendimento.

Lizandre ressalta que o lucro da Caixa tem sido obtido às custas da exploração e do adoecimento dos empregados. “Os empregados são, em grande parte, os responsáveis por esse lucro. As demissões e o fechamento de agências prejudicam as bancárias e os bancários que já trabalham em excesso e estão cada dia mais sobrecarregados e adoecendo no ambiente de trabalho”, frisa.

Mesmo com a redução dos funcionários e dos postos de atendimento, a arrecadação da Caixa com prestação de serviços e tarifas bancárias aumentou em 6,5% no 1º Semestre de 2018, totalizando R$ 13 bilhões. Segundo a gestão do banco, esse resultado foi influenciado pelas receitas de conta corrente, cartões e administração de fundos de investimento.

Para Lizandre, essa busca por uma rentabilidade cada vez maior em detrimento do seu papel social, faz parte da política adotada pela direção do banco na perspectiva de abrir caminho para sua privatização. “Essa Caixa que prioriza o lucro em detrimento dos interesses da população e dos direitos dos seus empregados é o espelho da política privatista do governo ilegítimo de Temer, que na direção do banco é representada pela presidente Ana Paula Vescovi. A ideia é precarizar os serviços, reduzindo pessoal, aumentando tarifas e alterando as prioridades de crédito para mostrar para o mercado o quanto a Caixa pode ser ainda mais lucrativa”, avalia a diretora do Sindibancários/ES.

Nesse momento da Campanha Nacional em que a direção da Caixa apresenta proposta, inclusive mais rebaixada que a proposta da Fenaban, com redução e retirada de direitos, é fundamental reforçar a mobilização da categoria em defesa dos direitos e da Caixa 100% pública e a serviço da população brasileira.

 

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