Com o tema “Parem de nos matar”, marcha ocupa ruas de Vitória no Dia da Consciência Negra

Na manhã desta quinta-feira, 20, o Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), estudantes, organizações e movimentos sociais, ocuparam as ruas do centro de Vitória com a VII Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra. Com faixas e cartazes nas mãos, os manifestantes pediram o fim da violência contra os jovens negros e […]

Na manhã desta quinta-feira, 20, o Fórum da Juventude Negra do Espírito Santo (Fejunes), estudantes, organizações e movimentos sociais, ocuparam as ruas do centro de Vitória com a VII Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra. Com faixas e cartazes nas mãos, os manifestantes pediram o fim da violência contra os jovens negros e a implementação de políticas públicas de inclusão social dos negros no país. O Sindibancários/ES marcou presença e denunciou também o racismo nos bancos.

 

A marcha, que marca o Dia Nacional da Consciência Negra, saiu do início da Avenida Jerônimo Monteiro e seguiu até o Museu Capixaba do Negro (Mucane), próximo ao Parque Moscoso. Durante o percurso, várias cruzes foram fincadas em frente ao Palácio Anchieta representando os jovens negros mortos pela violência no Estado. Segundo o Mapa da Violência 2014, o Espírito Santo permanece em segundo lugar como um dos estados mais violentos do país, atrás apenas de Alagoas.

Além dos movimentos sociais, estudantes de 14 escolas públicas da Grande Vitória e do interior do Estado participaram do ato. “Vamos continuar soltando nosso grito pela liberdade. Nossa luta é contra todo tipo de opressão, contra o racismo e a homofobia. Estamos nas ruas há sete anos e vamos continuar. As cruzes que deixamos no Palácio Anchieta é para mostrar que o governo é responsável pela morte de nossos jovens”, enfatizou a coordenadora do Fejunes, Silvana Ribeiro, durante a marcha.

Para o diretor do Sindibancários/ES, Dérik Bezerra, a luta pelo fim do extermínio da juventude negra e contra o racismo deve ser de toda sociedade. “O preconceito racial está presente em todos os lugares, inclusive nos bancos. Nos bancos públicos ainda há uma presença, mesmo que pequena de negros. Mas esses raramente chegam a ocupar cargos de gerências. Já nos bancos privados, a situação é ainda pior, pois praticamente não há contratações de bancários negros”, frisou Bezerra.

Luta contra o preconceito

Essa foi a primeira vez que o jovem Nathan Luz Souza, 15 anos, participou da Marcha. Para ele, o ato é importante para marcar a luta contra o preconceito.  “Não precisamos de um dia da Consciência Negra, mas sim 365 dias de consciência humana. O racismo e toda forma de preconceito só trazem sofrimento”, disse o estudante.

“Não aceitaremos nossas mortes passivamente. Lutamos para que não tenha mais nenhum dia de violência contra os jovens negros. A postura do professor da Ufes Manoel Luiz Malaguti mostra que o racismo está presente em todos os setores da sociedade”, destacou o membro do Fejunes, José Anézio Fernandes. Ele se referiu às falas preconceituosas do professor durante uma aula para alunos do curso de Ciências Sociais, na Universidade. Malaguti teria dito que “detestaria ser atendido por um médico ou advogado negro”.

Dados da violência

De acordo com o Mapa da Violência 2014 – os jovens do Brasil, coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz e lançado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais-, entre 2002 e 2012, o número de homicídios de jovens brancos caiu 32,3%, enquanto de jovens negros aumentou 32,4%. O Espírito Santo ocupa o segundo lugar entre os estados com as maiores taxas de homicídio de jovens negros (taxa de 72,6 a cada 100 mil habitantes).

Somente em 2012, o estado capixaba registrou 101,7 mortes por grupo de 100 mil jovens, mais que o dobro da taxa registrada no país, que ficou em 57,3 mortes violentas a cada 100 mil jovens.

Bancos

Dados do II Censo da Diversidade realizado pela Federação Nacional dos Bancos (Febraban) revelam o forte racismo presente nas instituições financeiras do Brasil. Do total de bancários que responderam à pesquisa, 74,6% são brancos e apenas 24,9% negros. O Censo também aponta um aumento de bancários negros desde 2008, no entanto o em relação à remuneração, a discriminação racial é gritante: o salário médio dos negros é equivalente a 87,3% dos bancários brancos.

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