Com voto de minerva de Jovenal Gera, Conselho da Banescaixa aprova reajuste de 17,31%

Sindicato protestou contra o reajuste. Bancários e bancárias estão convocados para assembleia de prestação de contas do plano, que será realiza hoje

Ao centro, Jovenal Gera, a caminho da reunião do Conselho. Sindicato tentou pressionar o conselheiro a votar em favor dos empregados. Fotos: Sérgio Cardoso

O Conselho Deliberativo da Banescaixa aprovou na manhã desta quinta-feira, 26, reajuste de 17,31% na mensalidade do plano de saúde dos banestianos. A aprovação contou com voto de minerva do presidente do Conselho, Jovenal Gera, que é o representante eleito pelos empregados ao Conselho de Administração do Banestes.

Gera foi o único a votar junto com a representante do banco, Cinthia de Souza Rosa. Os demais conselheiros Marcos Caulit, da Banespar, e Júlio César Gomes, da Fundação Banestes, fizeram o contraponto a favor dos empregados votando contra o reajuste.

“Mais uma vez, o representante eleito pelos funcionários cumpre o papel traiçoeiro de defender os interesses do banco, prestando um desserviço aos trabalhadores. É inadmissível esse reajuste”, critica Jonas Freire, coordenador geral do Sindibancários/ES.

Durante a reunião, o Conselheiro Júlio César Gomes alertou para o aumento da desproporção entre o valor do plano e a renda dos empregados.

“Defendemos que qualquer aumento deveria seguir no máximo o índice inflacionário. A categoria teve reajuste de 2,75% em 2017; os aumentos sucessivos do plano levam a um descasamento entre o valor da mensalidade e o orçamento individual, impedindo a permanência na Banescaixa. A consequência pode ser uma debandada em massa do plano, o que o tornará ainda mais caro para quem permanecer, chegando ao ponto de inviabilizá-lo no futuro”, diz Gomes.

Conselheiro eleito pela Fundação, Júlio César Gomes, à esquerda, conversa com diretores do Sindicato

Segundo Júlio, a justificava para o reajuste tem como base o déficit do plano, que deve ser publicizado na assembleia de prestação de contas que acontecerá ainda hoje, às 17h, no Palas Center. O movimento sindical, no entanto, cobra a responsabilidade do banco para alcançar a sustentabilidade da Banescaixa.

“A mudança da forma de contribuição, em 2009, que passou de percentual para faixa-etária, reduziu os valores repassados pelo banco. A instituição também deixou de contribuir com os aposentados e dependentes. Recentemente, suspendeu o aporte para o pagamento das despesas administrativas, o que só foi revertido com a mobilização dos empregados. Além disso, o banco se nega a discutir e a negociar a situação da Banescaixa, em postura extremamente intransigente. É um desrespeito, um desdém com a saúde dos empregados”, salienta Jonas Freire.

Atualmente, as mensalidades do plano variam de R$ 103,43 para quem tem até 18 anos, a R$ 620,58, para quem está acima dos 59 anos. Os dependentes também pagam conforme a idade. Com o reajuste, esses valores passarão para R$ 121,33 e R$ 728, respectivamente.

Sindicato protesta contra a votação

Desde o início da manhã a diretoria do Sindicato ficou em vigília em frente ao Palas Center para mobilizar bancários e bancárias contra o reajuste e pressionar os conselheiros.

A entidade convoca os bancários e as bancárias participantes da Banescaixa para comparecerem à assembleia de prestação de contas nesta quinta, no Palas Center, às 17h.

“Temos que fortalecer nossa mobilização contra os reajustes abusivos e, sobretudo, cobrar do banco uma negociação real sobre o nosso plano”.

Reajustes anteriores

Em maio de 2017 a tabela do plano já havia sido reajustada em 8,54% e, no ano anterior, em 11%. O plano familiar também sofreu reajuste de 10,72% em março deste ano.

O teto da coparticipação, valor máximo pago na realização de exames e consultas, também foi elevado, passando de R$ 85 para R$ 461 entre outubro e dezembro de 2017, após dois aumentos consecutivos.

Em 2014, o conselho aprovou reajuste de 28,71%, índice que foi revertido para 8% após várias ações de luta da categoria, entre plenárias e negociações com o banco.

Como votaram os conselheiros

  • Júlio César Gomes, representante eleito pela Fundação Banestes – Contra
  • Marcos Caulit, representante da Banespar – Contra
  • Cinthia de Souza Rosa, representante do banco – a favor
  • Jovenal Gera, representante do Conselho de Administração – a favor
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