Comissão de Empresa e Banco do Brasil debatem mudanças nas PSO

Representantes dos empregados apontaram aos executivos do banco os diversos problemas e considerações colhidas nas unidades de PSO em todo o Brasil, como cobrança de metas, falta de treinamento e sobrecarga de trabalho.

Na última semana, a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) se reuniu com o banco para debater as mudanças anunciadas nas Plataformas de Suporte Operacional (PSO), que incluem alterações nas atribuições dos caixas executivos. A reunião foi solicitada pela Contraf dentro do processo de negociação permanente previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

Na reunião, o banco apresentou a chamada Mobilização envolvendo as PSO, com foco em novas tarefas para os caixas, incluindo presenças nas salas de autoatendimento e venda de produtos de capitalização, crédito direto ao consumidor (CDC), e o programa de acúmulo de pontos Livelo.

Os representantes dos empregados apontaram aos executivos da Diretoria Gestão de Pessoas (Dipes) e Unidade Operações (UOP) os diversos problemas e considerações colhidas nas unidades do PSO em todo o Brasil.

Teoria é diferente da prática
A Comissão de Empresa (CEBB) destacou a diferença entre o que se planeja na diretoria e a prática nos locais de trabalho, começando pela mobilização de venda de produtos. Segundo Wagner Nascimento, coordenador da CEBB, embora o banco tenha falado que individualmente o caixa não será obrigado a vender produtos, a partir do estabelecimento de uma meta para os prefixos, tem sido constatadas cobranças individualizadas por e-mail e mensagens por aplicativos como o WhatsApp.

“Os funcionários apresentaram os problemas com a segurança nas tarefas dos caixas a partir do momento em que precisa atuar na oferta de produtos. Muitos reclamam do deslocamento do posto de trabalho na bateria de caixas sem segurança, uma vez que boa parte do mobiliário não tem chave para trancar o numerário”, disse o coordenador da CEBB.

Falta de treinamento

 Os caixas das PSO de todas as regiões do país têm reclamado que desde a apresentação das novas funções, muitos estão sendo cobrados por venda de produtos que não conhecem profundamente e não há nenhum tipo de treinamento.

Segundo o coordenador da CEBB, a falta de treinamento adequado traz insegurança para funcionários e clientes, uma vez que a oferta pode ser feita de forma equivocada, gerando prejuízos financeiros para os funcionários, inclusive passíveis de inquéritos administrativos, além de maior risco de ocorrências de diferenças de caixa.

Melhora das estatístias

 Os representantes dos funcionários observaram que existem problemas nas estatísticas que apontam a diminuição no número dos atendimentos nos caixas. Segundo eles, em muitas plataformas, os caixas são orientados a encerrar a sessão antes da conclusão do atendimento ao cliente, apenas para mascarar o tempo total da operação. O Banco se comprometeu a orientar as PSO para coibir esse tipo de prática.

Outra reclamação apontada é quanto ao trabalho de entrega de cartões aos clientes que, em diversas regiões, não tem seguido com segurança os normativos internos, com relatos de entrega e armazenamento de cartões de clientes nas salas de autoatendimento.

O banco informou que suspenderá temporariamente o processo de entrega de cartões pelos caixas, até que o modelo seja devidamente ajustado.

Sobrecarga de trabalho

Sindicatos dos bancários de diversas localidades do país também denunciaram a sobrecarga de trabalho dos Gerentes de Serviço (Gemods), que precisam gerenciar tanto os serviços das PSO quanto serviços ligados às agências. A sobrecarga impede um melhor gerenciamento do quadro de funcionários, o planejamento de férias e treinamentos dos funcionários e dos próprios Gemods.

Os sindicatos também constataram e relataram problemas com o novo modelo do Gerenciador de Atendimento (GAT) – sistemas de gerenciamento de senhas e atendimento –, onde existe a prioridade de atendimento por tipo de cliente. A segmentação de renda dá privilégio de atendimento e tem gerado muita confusão nas agências, em muitos casos, trazendo insegurança física para trabalhadoras e trabalhadores que fazem o atendimento aos clientes, além de aumento nas denúncias aos órgãos de defesa do consumidor.

 

Análise da reunião

Para o coordenador da CEBB a reunião como o BB foi positiva, uma vez que o banco se comprometeu a efetuar melhorias físicas nos guichês, melhorar o sistema de atendimento e, principalmente, fez o compromisso de melhorar o treinamento dos funcionários.

“Houve o compromisso do banco de trazer as devolutivas das anotações geradas na reunião e, posteriormente será analisada a realização de uma próxima reunião”, disse.

Wagner ressaltou, porém, que os relatos colhidos pelos sindicatos e apresentados na reunião reforçam os motivos pelo qual o movimento sindical é contra a venda de produtos pelos caixas. “Falta segurança nos guichês, falta melhorar o sistema de atendimento aos clientes e, sobretudo, falta treinamento dos funcionários. Não é possível que neste momento o caixa, que muitas vezes não dá conta do atendimento de tantos clientes, ainda tenha que ofertar produtos para os quais não foi treinado”, criticou.

A CEBB e os sindicatos continuarão fazendo os debates nos locais de trabalho. Durante a reunião sobre PSO, o Comando Nacional, representado pela Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, entregou ao banco uma proposta de Termo de Compromisso para garantia de direitos dos funcionários do BB.

Com informações da Contraf

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