Conecef: debates sobre condições de trabalho, retirada de direitos e organização do movimento não foram aprofundados

Novas reivindicações sobre condições de trabalho não foram inclusas na minuta deste ano.

Bancários e bancárias da Caixa de todo o Brasil participaram do Conecef, que aconteceu entre 30 de junho e dois de julho, em São Paulo. Segundo a avaliação da diretora do Sindicato dos Bancários/ES, Renata Garcia, o Conecef não proporcionou uma discussão mais ampla sobre as condições de trabalho, o aprofundamento em relação às reformas trabalhista e da Previdência, nem a formulação de um calendário de lutas contra o desmonte dos bancos públicos. Isso ficou expresso, por exemplo, na não inclusão de novas reivindicações sobre condições de trabalho na minuta deste ano.

“O grupo majoritário entende que, como foi feito um acordo de dois anos em 2016, cláusulas novas sobre condições de trabalho não poderiam ser discutidas. Esse debate foi cerceado num momento em que as condições de trabalho são massacrantes devido a medidas como a não contratação de empregados, o Programa de Desligamento Voluntário Extraordinário (PDVE) e ameaça de fechamento de agências”, diz Renata.

A delegação capixaba defendeu a eleição da Comissão Executiva de Empregados (CEE) no próprio Conecef. Hoje essa comissão é composta por um representante escolhido por cada uma das 10 federações. Outra defesa dos bancários e bancárias capixabas foi a ampliação da participação da base no congresso. Atualmente o número de delegados e delegadas eleitos é de 1 a cada 300 trabalhadores. Os capixabas queriam que fosse de 1 a cada 200. Nenhuma das duas propostas foi aprovada.

Para o diretor do Sindibancários, Vinícius Moreira, o Conecef deveria ser um espaço de fortalecimento da organização dos trabalhadores e trabalhadoras.

“Nesse contexto de ataques aos bancos públicos, retirada de direitos e acordo coletivo bianual, mais do que nunca o Conecef deveria discutir a organização dos trabalhadores e trabalhadoras, pois temos que estar fortemente organizados para resistir”, diz.

Vinícius acredita que deveriam ter sido feitas discussões efetivas sobre o papel das OLTs e dos delegados sindicais, além de debater a criação de novos espaços de debate com os trabalhadores e trabalhadoras, como seminários nacionais e regionais e outras formas de aproximar os dirigentes com a base, o que, inclusive, foi defendido na tese aprovada pelos bancários capixabas.

A delegação do Espírito Santo marcou presença no Conecef com os delegados e delegadas eleitos durante o Congresso Estadual dos Bancários do BB e da Caixa, ocorrido em 13 de junho, na sede do Sindicato dos Bancários/ES. São eles: os aposentados Rita Lima, Álvaro Antonio dos Reis, Angela Barone e Reginaldo Barcellos Correia de Mello. Os ativos Vinícius Moreira, Renata Garcia, Fabíola Garcia, Lizandre Borges, Giovanni Riccio e Igor Bongiovani. O presidente da APCEF, Edmar André, participou como observador.

Funcef

Renata Garcia acredita que o ponto positivo do Conecef deste ano foi a resolução unitária sobre a Funcef.

“É uma resolução cobrando o contencioso, reconhecendo que ele tem mais peso sobre o déficit que a Funcef vive hoje. Além disso, a resolução contempla a eleição dos trabalhadores e trabalhadoras no fundo de pensão em dois turnos, em vez de apenas um, como é feito atualmente. Com um único turno a participação dos bancários e bancárias é muito baixa. Acreditamos que com dois ela possa aumentar, tornando o processo eleitoral mais democrático”, afirma Renata.

Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos

A Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos foi lançada na manhã do sábado, primeiro de julho, no Hotel Holiday Inn, em São Paulo, onde aconteceram o 33º Conecef e o 28º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB). A frente conta com parlamentares do PSOL, PT e PCdoB, além de representantes dos trabalhadores e trabalhadoras nos conselhos das instituições financeiras.

“A criação da frente parlamentar é importante, mas a luta contra o desmonte dos bancos públicos não pode se limitar aos espaços institucionais. Tem que enraizar na base com a criação de comitês por local de trabalho. Além disso, a solenidade de lançamento da frente parlamentar durante acabou se transformando num palanque onde as estrelas eram os parlamentares do PT e do PC do B”, diz Renata.

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