Conferência Estadual: bancários discutem desmonte da Previdência Social

A professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisadora de Política Social com ênfase na Previdência Social, Financeirização e Crédito, Rivânia Lúcia Moura de Assis, falou das consequências da reforma da Previdência para a classe trabalhadora

O debate sobe reforma da Previdência aconteceu na tarde de sábado, dia 24

Dando prosseguimento aos debates sobre as reformas que o governo ilegítimo de Temer (PMDB) está tentando implementar no Brasil, a Conferência Estadual dos Bancários contou com a presença da professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisadora de Política Social com ênfase na Previdência Social, Financeirização e Crédito, Rivânia Lúcia Moura de Assis. Ela participou do debate sobre reforma da Previdência, que aconteceu na tarde do sábado, 24. O evento está acontecendo no Hotel Praia Sol, em Nova Almeida, na Serra.

Segundo a professora, o Governo Temer, juntamente com o grande empresariado e os meios de comunicação, precisa convencer o povo de que a reforma da Previdência é necessária. Para isso, adota discursos como os de que a Previdência está falida e que os brasileiros se aposentam cedo demais, o que para Rivânia nada mais é do que dados falsos da realidade. A pesquisadora explicou, por exemplo, que o déficit na Previdência não é real.

“A Previdência faz parte de um sistema de seguridade social que abarca também a saúde e a assistência social. Existe o fundo da seguridade social, com as contribuições diretas, que são aquelas que são descontadas do salário do trabalhador e pagas pelas empresas. As contribuições indiretas são as que vêm, por exemplo, do Cofins, das exportações e do PIS, partilhados com as políticas da Previdência, saúde e assistência. Para convencer de que há um déficit na Previdência, o governo apresenta somente as receitas que vêm das contribuições diretas”, explica.

De acordo com a professora, outro argumento dos defensores da reforma é o de que o maior gasto público do Brasil é com a Previdência. Contudo, a professora afirma que o investimento com a Previdência corresponde a 7,5% do PIB brasileiro, cerca de 20% do orçamento da União vai para ela enquanto mais de 40% é destinada para a dívida pública; além do fato de que os gastos com a Previdência no Brasil são um dos menores do mundo, perdendo somente para o Chile, onde a Previdência foi privatizada; e para o México, onde há uma situação de informalidade no mercado de trabalho para a qual o Brasil está caminhando.

As mudanças propostas pela reforma da Previdência, segundo a professora, não levam em consideração a diversidade regional.

“Querem estabelecer a idade mínima de 65 anos para aposentadoria. A expectativa de vida no norte e nordeste é igual ou inferior a isso. Muito se diz que outros países estabeleceram uma idade mínima, mas nesses lugares, colocaram uma faixa etária com a distância de cerca de 20 anos da expectativa de vida”, diz.

Rivânia salienta que a reforma trará impactos em diversos setores, como na saúde e na economia. No primeiro, ela destacou o aumento dos casos de adoecimentos em meio à classe trabalhadora. No segundo, a professora enfatizou que cerca de 70% dos municípios têm como principal fonte de renda local a aposentadoria dos trabalhadores e trabalhadoras. A pesquisadora afirma que entre as possíveis conseqüências caso a reforma seja aprovada, estão o enorme contingente de trabalhadores que não irão se aposentar, aposentadorias com valor reduzido e aumento das previdências privadas para quem pode pagar.

“Dizem que é preciso reformar agora para garantir no futuro. Isso é mentira. Garantir para quem? Só se for para os bancos, que venderão muita Previdência privada”, diz.

Confira a galeria de imagens da Conferência. 

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