Conferência Nacional: bancários definem plano de lutas

Defesa do emprego, dos bancos públicos e dos direitos trabalhistas serão prioridades na Campanha Nacional 2017

A Campanha Nacional 2017 começa diferente para bancários e bancárias. Com o acordo bianual fechado no ano passado, a prioridade das negociações passará pela defesa do emprego e pela manutenção do modelo de contratação no setor bancário, a fim de barrar o avanço da terceirização e de outras formas de trabalho precarizado legalizados pela contrarreforma trabalhista. Nesse sentido, Conferência Nacional dos Bancários, realizada de 28 e 30 de junho, em São Paulo, aprovou um plano de lutas que irá orientar as ações da categoria no período negocial.

“O Comando Nacional dos Bancários vai apresentar à Fenaban um documento com um conjunto de reivindicações para tentar impedir os impactos da terceirização e da reforma trabalhista. Somos uma das categorias mais ameaçadas com essas medidas; já estamos vivenciando em diversos bancos planos de demissões e reestruturações que objetivam precarizar a forma de contratação nos bancos, reduzindo salários e benefícios, por isso é essencial para a sobrevivência da nossa categoria resistir à retirada de direitos e garantir por meio de um termo de compromisso direitos antes assegurados pela CLT”, diz Jonas Freire, coordenador geral do Sindibancários/ES.

O Plano de lutas dos bancários define também estratégias para a defesa dos bancos públicos e para as negociações das mesas temáticas de Saúde do Trabalhador, Igualdade de Oportunidades, Segurança Bancária e de Acompanhamento da Cláusula de Prevenção de Conflitos.

Categoria precisa construir greve

O Sindicato destaca a necessidade de construir uma greve nacional unificada caso as negociações não avancem. “O contexto em que vivemos é de resistência, estamos em luta para preservação de direitos básicos, que conquistamos há décadas e que estão sendo retirados. Será uma das campanhas nacionais mais complexas dos últimos anos, por isso precisamos contar com a unidade de todos. A Fenaban não vai ceder facilmente e teremos que demonstrar força para sairmos vitoriosos”, alerta Rita Lima, diretoria do Sindicato.

“Chegamos a um momento em que nossas preocupações extrapolam a minuta específica e as questões salariais. Com o desmonte de direitos, dos bancos públicos e da regulamentação trabalhista, manter o emprego da categoria é fundamental. Se os bancos levarem à cabo as novas regras de contratação, teremos demissões em massa e um crescimento desmedido de contratações terceirizadas, pejotização e até mesmo trabalho intermitente dentro da categoria”, explica Rita.

O termo de compromisso foi a saída encontrada pelo movimento bancário para tentar resguardar os direitos que vêm sendo atacados.  “Quando assinamos nossa Convenção Coletiva ainda não tínhamos esse cenário de mudança da CLT, as reformas estavam em disputa, portanto nosso Acordo não dá proteção quanto à mudança da forma de contratação nos bancos. Arrancar esse compromisso é uma forma de resistir ao desmonte completo da categoria”, reforça Carlos Pereira de Araújo (Carlão), diretor do Sindicato.

Moções

A 19ª Conferência Nacional dos Bancários aprovou moção contra a reforma trabalhista, sancionada pelo presidente Michel Temer, que atende apenas os interesses dos empresários e o desejo de reduzir custos e aumentar os lucros, gerando um enorme retrocesso para os trabalhadores.

Também foi aprovada moção de repúdio ao Banco Mercantil do Brasil, que já fechou agências em diversas cidades do país e demitiu centenas de funcionários, inclusive dirigentes sindicais, entre outras.

Delegação capixaba na 19ª Conferência Nacional dos Bancários e das Bancárias

Imprima
Imprimir