Conferência Nacional define minuta de reivindicações com disputa acirrada de índice, fechado em 12,5%

12,5% foi o índice de reajuste aprovado na 16ª Conferência Nacional dos Bancários, que aconteceu de 25 a 27 de julho, em Atibaia, São Paulo. O valor foi defendido pela corrente majoritária do congresso, Articulação Bancária (ArtBan), que é vinculada à CUT. Os diretores do Sindicato dos Bancários/ES que representam a Intersindical criticaram o índice, […]

12,5% foi o índice de reajuste aprovado na 16ª Conferência Nacional dos Bancários, que aconteceu de 25 a 27 de julho, em Atibaia, São Paulo. O valor foi defendido pela corrente majoritária do congresso, Articulação Bancária (ArtBan), que é vinculada à CUT. Os diretores do Sindicato dos Bancários/ES que representam a Intersindical criticaram o índice, qualificando-o como rebaixado.

Na tentativa de somar forças para disputar um valor mais elevado de reajuste, as demais correntes políticas do Congresso defenderam de forma unificadaa proposta de 10% mais a inflação – o que totalizaria um índice de 17,5% –, mas não conseguiram derrotar a Artban 

Confira nops vídeos abaixo as duas defesas de proposta. A primeira, feita pelo bancário Otacílio Cóser (CSP – Conlutas) e pelo coordenador geral do Sindibancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Carlão), de 10% mais inflação; a segunda, realizada pelos delegados da ArtBan, de 5% mais sinflação.

Além do índice, foram definidos como eixos de reivindicação a valorização do piso salarial no valor do salário mínimo do Dieese (R$ 2.979,25), a defesa do emprego, o fim da terceirização, o combate às metas e ao assédio moral.

Coordenador geral do Sindicato/ES cobra negociações específicas nas mesas dos bancos federais

O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Carlos Pereira de Araújo (Cartão), que integra o Comando Nacional dos Bancários, criticou a atuação do grupo majoritário do Comando, vinculado à ArtBan e à CUT, cobrando negociação real nas mesas específicas dos bancos públicos federais.

“Falta empenho do campo majoritário para que haja negociação na mesa dos bancos públicos federais. Nós temos exigir que as negociações aconteçam, é uma questão de respeito com os bancários dos bancos públicos. As negociações específicas são deixadas para última hora e viram enrolação” enfatiza Carlão.

Veja a crítica completa no Facebook do Sindicato!

Com repúdio da plenária, maioria do Congresso aprova apoio à Dilma

Sob manifestação de repúdio dos grupos de oposição, a Conferência Nacional dos Bancários aprovou o apoio à candidatura de Dilma Rousseff nas eleições 2014. A Intersindical defendeu a autonomia do movimento sindical bancário diante do processo eleitoral, com a apresentação de uma plataforma da classe trabalhadora a todas as candidaturas progressistas. Os grupos cutistas, no entanto, conseguiram aprovar o apoio à reeleição da presidenta.

“Nós defendemos a autonomia das entidades sindicais em relação a partidos e candidatos. Não somos contra o envolvimento dos trabalhadores na política, pelo contrário, achamos que temos que intervir de forma organizada no processo eleitoral, cobrando dos candidatos o compromisso com uma plataforma da classe trabalhadora que inclua propostas como o fim do fator previdenciário; suspensão e auditoria da dívida pública brasileira; mais investimento em políticas sociais como saúde, educação, transporte e moradia; reforma agrária e uma reforma tributária que desonere os trabalhadores e taxe progressivamente, confirme o lucro, as grandes empresas e fortunas”, explica Carlão.

“As correntes cutistas defenderam o apoio à Dilma sem o mínimo de crítica e não exigiram nenhum compromisso como contrapartida. Na verdade, elas não se propuseram a discutir e apresentar uma plataforma da classe trabalhadora porque sabem que o PT tem uma aliança com partidos de direita e com grandes empresários que inviabiliza o cumprimento de compromissos com os trabalhadores”, complementa Carlão.

Polêmicas

Também foram polêmicos os debates sobre o fim das metas, PLR e contratação de remuneração variável.

-Fim das metas

Novamente, voltou à tona o debate sobre fim das metas, defendido pela Intersindical e demais grupos de aposição, e fim das metas abusivas, defendida pela ArtBan.

A oposição denunciou a imposição de metas como principal instrumento para o assédio moral de bancários, e criticou a postura da corrente majoritária em tentar negociar com o patrão o que seriam metas mais ou menos abusivas. O adoecimento crescente de bancários e bancárias também foi destacado para justificar o fim das metas, mas permaneceu o posicionamento da corrente majoritária, de fim das metas apenas abusivas.

– PLR e perdas
A Intersindical defendeu a proposta aprovada na Conferência Estadual da categoria, com distribuição de 25% do lucro líquido de forma linear para todos os bancários. A maioria da plenária, contudo, votou pela manutenção da proposta de minuta, com PLR de R$ 6.247mais o valor de três remunerações mensais.

A reposição das perdas salariais do período FHC, proposta defendida pela Intersindical e demais grupos de oposição, também foi rejeitada.

-Remuneração variável

O grupo majoritário da Conferência conseguiu aprovar como reivindicação da minuta a contratação de remuneração variável a partir da venda de produtos. A proposta foi duramente criticada pela oposição.

“contratar remuneração variável é uma forma de legitimar a pressão por metas e, consequentemente, o assédio moral. Isso pode gerar um achatamento maior dos salários, deixando os bancários reféns da venda de produtos. Temos que lutar por um reajuste salarial digno e pela valorização do piso. É uma contradição tentarmos acabar com as metas e com o assédio e, ao mesmo tempo, ganhar em cima da venda de produtos”, explica Carlão, coordenador geral do Sindicato/ES.

Principais reivindicações aprovadas na Conferência

  • Reajuste salarial de 12,5%;
  • PLR: três salários mais R$ 6.247;
  • Piso: R$ 2.979,25 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último);
  • Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 724,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional);
  • Melhores condições de trabalho com o fim das metas e do assédio moral que adoecem os bancários;
  • Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, fim da rotatividade, combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PL 4330 na Câmara Federal, do PLS 087 no Senado e do julgamento de Recurso Extraordinário com Repercussão Geral no STF. Além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas;
  • Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários;
  • Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós;
  • Prevenção contra assaltos e sequestros. Cumprimento da Lei 7.102/83 que exige plano de segurança em agências e PABs, garantindo pelo menos dois vigilantes durante todo o horário de funcionamento dos bancos. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento das agências. Fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários;
  • Igualdade de oportunidades para todos, pondo fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transsexuais e pessoas com deficiência (PCDs);
  • Estatização do Sistema Financeiro;
  • Não descontos dos dias parados;
  • Isonomia.

Agenda de lutas

  • A Conferência Nacional aprovou também um calendário de lutas, prevendo as seguintes atividades:
  • Dia Nacional de Luta pela Segurança.
  • Dia Nacional de Luta contra a Terceirização.
  • Dia Nacional de Luta pelo Emprego.
  • Paralisação nacional de duas horas contra as metas.
  • Dia Nacional de Luta no Santander.
  • Mobilização Nacional pela Democratização da Mídia.
  • 14 e 15/8 – Participação massiva dos sindicatos no Seminário Nacional sobre “A Terceirização no Brasil: Impactos, resistências e lutas”, em Brasília.

Veja outras imagens da Conferência (Fotos Nelson Ezidio):

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*Atualizado em 01/08

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