Congresso Estadual do BB e da Caixa debate conjuntura brasileira

Evento foi iniciado com uma mesa de conjuntura, que destacou os aspectos da crise atual do capitalismo e os seus reflexos na conjuntura brasileira.

Teve início na manhã desta terça-feira, 13, o Encontro Estadual dos Bancários e Bancárias do Banco do Brasil e da Caixa, que abre os debates para a Campanha Nacional deste ano. A atividade acontece no auditório do Sindicato dos Bancários/ES e seguirá ao longo de todo o dia.

O Encontro foi iniciado com uma mesa de análise de conjuntura, que destacou os aspectos da crise atual do capitalismo e os seus reflexos na conjuntura brasileira. A professora Maria Helena Elpidio, do Programa de Pós-graduação em Política Social da UFES, foi a convidada.

Segundo a professora, a crise que vivenciamos não é recente, acontece desde a década de 70, e o capitalismo vem buscando formas permanentes para se reorganizar e manter a sua hegemonia.

“Nesse momento histórico, a tentativa do Capital de recompor suas taxas de lucro se dará por duas vias, uma delas é a reestruturação do trabalho, através da qual os empregados precisam lidar com diferentes e mais numerosos processos de trabalho, além de ser polivalentes, resilientes e proativos, numa ideia de colaboração entre capital e trabalho; a outra é o neoliberalismo, que se intensifica a partir da década de 90 com uma política dura de privatizações, desmonte de direitos e da estrutura de proteção social existente.”

Para Maria Helena, as políticas do governo Temer (PMDB), entre elas a reforma trabalhista e da Previdência, devem ser analisadas dentro desse contexto de reorganização do Capital.

“A deposição de Dilma Rousseff não aconteceu por causa da corrupção, aconteceu porque era necessário fazer mais rapidamente as contrarreformas – que já estavam sendo feitas nos governos petistas e nos anteriores. Mas nesse momento a burguesia brasileira se alimenta ainda mais de uma lógica autoritária, antidemocrática, de um poder público atrelado aos interesses privados, cuja pauta principal é a aprovação dessas contrarreformas. Nesse sentido, o golpe de 2016 é o capítulo mais dramático do neoliberalismo brasileiro”.

A palestrante destacou também a necessidade do capitalismo de, além de ampliar a exploração do trabalho, disputar os recursos do fundo público e quebrar o conceito de universalidade de direitos. “O Capital vai se alimentar da dívida pública e reduzir o acesso dos trabalhadores ao fundo público, retirando direitos e transformando uma série de serviços universais em mercadoria. É o que acontece com a Previdência, com a educação, com a saúde. Essas áreas vão sendo desmontadas, precarizadas, para dar lugar à oferta da previdência privada, da escola particular, do plano de saúde privado. Se perde a ideia de bem coletivo e todas as instâncias da vida vão sendo individualizadas, segregadas e mercantilizadas”.

Apesar de caracterizar claramente a conjuntura como um momento de ataque aos trabalhadores e de restauração conservadora da classe burguesa, Maria Helena aponta uma saída possível através da luta social.

“Esses momentos trazem uma contradição profunda, que é o esgarçamento desse modelo de sociedade. E temos que ter claro que o capitalismo ‘não morre de morte morrida, morre de morte matada’. Por isso precisamos intensificar as lutas sociais e as mobilizações, buscando uma saída para além de 2018. Nosso desafio é maior, ultrapassa inclusive a luta corporativa. Não estamos em tempos de conciliação, mas em tempo de radicalizar o conflito de classes no Brasil”.

Diretores do Sindicato também fizeram uma breve apresentação das teses que serão disputadas nos encontros nacionais do BB e da Caixa

Programação continua

O Congresso Estadual dos Bancários do BB e da Caixa continua ao longo da tarde com debate sobre a reestruturação e o desmonte dos bancos públicos, que terá a participação da economista do Dieese Regina Coeli Camargos.  Serão eleitos também os delegados e delegadas ao 33° Conecef e ao 28° Encontro Nacional dos Funcionários do BB.

Fotos: Sérgio Cardoso

 

 

 

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