Contraf lança nova campanha em defesa dos bancos públicos

O mote da campanha é “Se tem banco público, tem desenvolvimento” e reforça a importância das instituições financeiras estaduais e federais para o desenvolvimento econômico e social

Com o mote “Se tem banco público, tem desenvolvimento”, a nova campanha em defesa dos bancos públicos, lançada pela Contraf, reforça a importância das instituições financeiras estaduais e federais para o desenvolvimento econômico e social. A iniciativa busca impulsionar ainda mais as mobilizações contra o desmonte dos bancos públicos, que tem sido intensificado no governo ilegítimo de Temer (PMDB).

No Seminário em Defesa dos Bancos Públicos, realizado no último dia 10, em São Paulo, o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, destacou a importância dos bancos públicos para os mais pobres. Segundo ele, essas instituições financeiras cumprem um importante papel no combate ao déficit habitacional no país por meio do financiamento com subsídio, possibilitando a aquisição da moradia popular.

Com base em dados do IBGE, ele diz que o déficit habitacional do país atinge 6,5 milhões de famílias ou 20 milhões de pessoas, sendo 84% com renda inferior a três salários mínimos.

“Esse público não passa nem na porta (do banco privado). A enorme maioria das pessoas que não têm casa não têm condições de obter esse crédito”, diz o líder do MTST. Ele afirma que, apesar de ter muitos limites e contradições, o Minha Casa, Minha Vida tem qualidade no subsídio, que na faixa 1 chega a 95% do valor do imóvel. “É inconcebível um plano privado oferecendo um financiamento dessa natureza”, observa Boulos.

Segundo o ativista, desde o impeachment o governo não ofereceu contratações justamente na faixa 1, o que só foi retomado depois de uma longa ocupação dos sem-teto diante do edifício da Presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista.

Ainda no que diz respeito ao desenvolvimento econômico e social, destaca-se o papel do Banco do Brasil no fomento à agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura (Pronaf), que contribui com o trabalho de pequenos agricultores e, consequentemente, com a produção dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, já que cerca de 70% do que é consumido no Brasil vem da agricultura familiar.

O Banestes e o desenvolvimento do Espírito Santo

No Espírito Santo foi lançada em março a campanha em defesa do Banestes Público e Estadual, com o tema “Esse banco é da nossa conta”. Trata-se de uma ação organizada pelo Comitê em Defesa do Banestes Público e Estadual. Segundo o economista Helder Gomes, o risco de privatização da instituição financeira é real e faz parte de uma política econômica baseada na concessão de bens públicos para o pagamento da dívida pública.

Em 2016 o Banestes teve um lucro líquido de R$ 161,40 milhões, o que significa um crescimento de 7% em relação ao ano anterior. A carteira de crédito imobiliário, por exemplo, subiu 44,4%. Na avaliação de Helder Gomes, o resultado mostra o potencial do banco para dar suporte às políticas públicas.

“O governo, como acionista majoritário do Banestes, retém boa parte desse lucro, recurso usado para resolver os problemas de caixa no Estado e para fomentar políticas públicas. Na medida em que o banco apresenta resultados positivos — e que foram crescentes nos últimos anos –, ele reflete o seu potencial como instrumento de fomento das políticas públicas no Estado”

Helder salienta também o papel do Banestes para a promoção de um desenvolvimento mais horizontal da economia capixaba.

“O banco promove horizontalidades, ele tem o potencial de reter os excedentes da produção nos próprios municípios onde ele capta recursos, ao invés de transferi-los para a Grande Vitória. Se perdermos isso teremos uma centralização de recursos do banco. Além disso, o próprio banco gera uma demanda de serviços nos municípios que propiciam várias atividades econômicas que ajudam a dinamizar a economia local e elevam a arrecadação de impostos, tanto para o Estado como para os municípios”.

Com informações da Contraf

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