Contrariando manifestações populares, CUT defende Copa do Mundo em apoio a Dilma

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou publicamente o compromisso de ir às ruas em defesa da Copa do Mundo de 2014, contrariando a onda de manifestações recentes que critica o Mundial. A iniciativa busca diminuir as ameaças de manifestações contra o torneio e, por consequência, amenizar o desgaste do governo Dilma em período pré-eleitoral. […]

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) manifestou publicamente o compromisso de ir às ruas em defesa da Copa do Mundo de 2014, contrariando a onda de manifestações recentes que critica o Mundial. A iniciativa busca diminuir as ameaças de manifestações contra o torneio e, por consequência, amenizar o desgaste do governo Dilma em período pré-eleitoral.

A postura da Central revela o seu recuo diante das manifestações populares – protagonizadas também por trabalhadores e trabalhadoras organizados – e o seu profundo atrelamento ao governo, abrindo mão das pautas históricas da classe trabalhadora em apoio à pauta partidária.   

Não foi à toa que a Copa do Mundo virou o centro dos protestos nacionais. Enquanto a população amarga o desemprego, a falta de recursos na saúde, na mobilidade urbana e na educação, o Tribunal de Contas da União (TCU) prevê, só para as cidades-sede da Copa, um investimento de R$ 25,9 bilhões, sendo R$ 8,3 bilhões em financiamentos federais, R$ 6,3 bi em recursos diretos federais, R$ 4 bi estaduais, R$ 1 bi municipais e R$ 4 bi de outras fontes. Além desses recursos, o governo deve deixar de arrecadar R$ 461 milhões em incentivos fiscais às empresas que prestam serviços para o evento, recurso que também pode ser contabilizado como “gasto” público.

Num país com graves problemas sociais, é inaceitável que a prioridade de investimento do governo seja para infraestrutura de um evento que beneficiará quase que exclusivamente a iniciativa privada. As camadas mais pobres da população, que alimentam a paixão pelo futebol, ficarão excluídas dos jogos, se contentando em ver pela TV um espetáculo montado para as elites do país e do exterior. Pouco ou nada dos investimentos feitos terão consequências nas políticas sociais, e governos estaduais já cogitam a concessão dos estádios – reformados com dinheiro público – à iniciativa privada, como fez o governador Sérgio Cabral no Rio de Janeiro ao tentar privatizar o Maracanã.

A realização da Copa no Brasil, que já teve 79% de aprovação da população brasileira em 2009, tem agora 52% de rejeição, segundo pesquisa realizada pela Datafolha em fevereiro deste ano. É uma pena que a maior central de trabalhadores do Brasil, a CUT, depois de ter travado importantes lutas por direitos sociais, tenha perdido a sua autonomia e se voltado contra os interesses da classe que defende. O povo, ao contrário da Central, não irá se calar diante das contradições desse governo. No que depender de muitos brasileiros, se não tiver direitos, não vai ter Copa.

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