Cortes no primeiro semestre atingem 6785 postos de trabalho

Bancos privados, de carteira comercial, lideram demissões com 5304 cortes; Caixa segue com 1469 demissões nos primeiros seis meses do ano

O número de demissões no primeiro semestre deste ano apurados pela Pesquisa do Emprego Bancário, realizada pelo Dieese e pela Contraf com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, deixa ver o cenário de enxugamento generalizado no setor financeiro brasileiro. Entre janeiro e julho, os bancos cortaram 6785 postos de trabalho no país.

No Espírito Santo, foram 42 cortes no período. São Paulo foi o estado onde ocorreram mais demissões (3.715 postos), seguido pelo Rio de Janeiro (1.086 postos). O Pará registrou crescimento no emprego bancário, com a criação de 77 postos de trabalho.

Veja o gráfico:

gráfico_emprego_julho

 

A pesquisa mostra as grandes corporações de carteira comercial como Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander na liderança dos cortes, com 5.304 postos de trabalho. A Caixa Econômica Federal, por outro lado, entre os bancos públicos, foi responsável pelo corte de 1.469 postos de trabalho.

“Os números prévios desta pesquisa, divulgados no final de junho, mostraram a perspectiva de enxugamento para o ano. A perspectiva se mantém com cortes nos bancos públicos e avança sobretudo nos bancos privados, de forma a abrir caminho para o atendimento digital adoecedor e para a terceirização ilimitada dos serviços”, aponta Evelyn Flores, diretora do Sindicato.

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Motivos dos Desligamentos

Do total dos desligamentos ocorridos nos bancos, 62% foram por demissão sem justa causa, perfazendo 10.916 demissões. Os desligamentos a pedido do trabalhador representaram 28% do total e totalizaram 4.928.

Desigualdade entre homens e mulheres

As 5.371 mulheres admitidas nos bancos no primeiro semestre de 2016 recebem, em média, R$ 3.101,62. Esse valor correspondeu a 73,2% da remuneração média auferida pelos 5.484 homens contratados no mesmo período, que foi de R$ 4.235,69.

No momento do desligamento também se observou diferença na remuneração entre homens e mulheres. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos no primeiro semestre do ano receberam R$ 5.507,00, que representou 72,8% da remuneração média dos homens desligados dos bancos no período.

Faixa Etária

Os bancários admitidos concentraram-se na faixa etária de 18 a 24 anos, o que fez com que o saldo de emprego nessa faixa fosse positivo em 2.384 postos. Já os desligamentos se concentraram nas faixas etárias superiores a 25 anos de idade e, especialmente, na de 30 a 39 anos, que registrou um corte de 2.628 postos de trabalho. Esses jovens trabalhadores contratados pelos bancos no período receberam remunerações médias bem inferiores às dos desligados.

Confira aqui os gráficos e tabelas da pesquisa.

Com informações da Contraf.

 

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