Cresce lucro dos bancos privados que atuam no Brasil

Demissões de trabalhadores e cobranças de altos juros continuam na receita dos bancos para obterem lucros de bilhões no Brasil

Os bancos Itaú e Bradesco divulgaram o lucro do primeiro trimestre deste ano, deixando evidente, mais uma vez, que não há crise para banqueiros. Com crescimento de 13% em doze meses, o Bradesco obteve um Lucro Líquido Ajustado de R$ 4,648 bilhões de janeiro a março de 2017. No mesmo período, o Itaú obteve lucro ainda maior: R$ 6,2 bilhões, um aumento de 19,64% em relação ao mesmo período de 2016.

Apesar dos altos lucros, os bancos continuam demitindo trabalhadores. Somente o Itaú reduziu 1.652 postos de trabalho em relação a março de 2016. Foram abertas 36 agências digitais (que já somam 144 unidades) e fechadas 202 agências físicas no país no ano. O total de agências e pontos de atendimento do banco no Brasil e exterior, em março de 2017, foi de 5.005.

“Os bancos continuam obtendo altos lucros às custas da precarização do trabalho, das demissões em massa, do assédio moral aos empregados e da imposição de metas, que tem adoecido a categoria bancária. Além disso, os bancos exploram os seus clientes com a cobrança de altas taxas de juros e continuam obtendo altos lucros com os papéis da dívida pública brasileira, que pagam os juros mais altos do mundo”, enfatiza o diretor do Sindibancários/ES, Idelmar Casagrande.

Já o Bradesco encerrou março de 2017 com 106.644 empregados, um suposto aumento de 15.249 postos de trabalho em relação a março de 2016. Isso porque esse crescimento ocorreu devido à incorporação do HSBC. Ao analisar a quantidade de funcionários que o grupo possuía logo após a incorporação, tem-se uma redução de 3.278 postos, desde setembro de 2016. A mesma ponderação deve ser feita com relação ao número de agências, que expandiu em 613 unidades no período.

Lucro

O retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio Anualizado (ROE) do Itaú ficou em 22,0%, representando uma alta de 2,4 p.p. em doze meses. O Bradesco obteve ROE de 18,3%, com aumento de 0,8 pontos percentuais em relação a março de 2016. Contribuíram para esse resultado as receitas de crédito, com crescimento de 12%, com Títulos e Valores Mobiliários, com elevação de 23%, e o resultado com seguros, previdência e capitalização, que cresceu 15% em doze meses.

Além disso, a Carteira de Crédito Expandida do Bradesco teve um crescimento de 8,5% nos últimos doze meses e atingiu R$ 502,7 bilhões (no trimestre houve queda de 2,4%). As operações com pessoas físicas cresceram 16,3% em relação ao 1º trimestre de 2016, chegando a R$ 171,8 bilhões. Já as operações com pessoas jurídicas do banco alcançaram R$ 330,9 bilhões, com aumento de 4,9% em doze meses e retração de 2,5% no trimestre.

As comparações anuais do Bradesco são afetadas pela aquisição do HSBC que se efetivou em julho de 2016. O Índice de Inadimplência superior a 90 dias apresentou alta de 1,4 pontos percentuais no período, ficando em 5,6%. Diante disso, as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) também subiram significativamente (40,7%), totalizando R$ 8,2 bilhões, impactando negativamente o lucro do banco.

A receita com prestação de serviços do Bradesco e a renda das tarifas bancárias cresceram 17,8% no período, totalizando R$ 5,8 bilhões. As despesas de pessoal, considerando a PLR, subiram 28,4%, atingindo R$ 4,8 bilhões, em função da aquisição do HSBC. Assim, no primeiro trimestre de 2017, a cobertura dessas despesas pelas receitas secundárias do banco foi de 124,8%.

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