Crescem especulações sobre venda da Caixa

Site de notícias informou que Temer deve anunciar privatização no fim do ano. Especulações em torno do tema apenas pavimentam o caminho da privatização e servem de termômetro para as respostas tanto do mercado como da sociedade. Papel da categoria é resistir.

Novos rumores sobre a privatização da Caixa tiveram destaque na última semana, depois que o portal Relatório Reservado, especializado em economia, noticiou que o governo Michel Temer deve anunciar no final do ano a decisão de venda do banco, junto com outras medidas de reestruturação da máquina pública.

Segundo o jornal, “a responsabilidade do desenho da operação está nas mãos do presidente da Caixa, Gilberto Occhi” e “a venda da CEF é uma das raras operações capazes de gerar os recursos extraordinários para o equilíbrio das contas públicas em 2018, em ano em que o calendário fiscal e eleitoral se entrechocam”.

Procurada por outro veículo, o Gazeta do Povo, a assessoria da Caixa não confirmou nem negou a informação. Disse apenas que a questão seria respondida assim que fosse possível.

Ratificadas ou não pela CEF, as notícias reforçam o interesse privatista já manifesto pelo governo Temer, que inclui, além dos bancos públicos, Eletrobras, Infraero e Petrobras. Temer nunca negou as intenções de entregar ao capital privado o patrimônio público brasileiro, pelo contrário, essa foi uma das condicionantes na costura do golpe que o colocou no poder.

As especulações em torno do tema apenas pavimentam o caminho da privatização e servem de termômetro para as respostas tanto do mercado como da sociedade. É aí que entra o nosso papel enquanto categoria. É preciso fazer crescer o enfrentamento a qualquer discurso privatista, defender a Caixa Econômica Federal como patrimônio público e como instrumento do desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

A Caixa é o maior banco público do Brasil e está presente em quase todos os municípios brasileiros. Tem função central na execução de programas sociais, no gerenciamento do FGTS e na concessão de crédito habitacional. Só no primeiro semestre de 2017, a carteira imobiliária totalizou R$ 421,4 bilhões, mantendo a liderança no mercado imobiliário com 68,1% das operações. Já as operações de saneamento e infraestrutura cresceram 5,3% no período, atingindo R$ 79,9 bilhões.

Entre janeiro e junho, foram pagos cerca de 78,5 milhões de benefícios sociais, num total de R$ 14,2 bilhões, sendo R$ 13,7 bi referentes ao Bolsa Família. Em relação aos programas voltados ao trabalhador, a Caixa realizou 196 milhões de pagamentos, que totalizaram R$ 176,6 bilhões. Também foram realizados 33,7 milhões de pagamentos de aposentadorias e pensões aos beneficiários do INSS, correspondendo a R$ 40,7 bilhões. Ao final de junho, o banco possuía 84,1 milhões de correntistas e poupadores.

Esse quadro revela parte do patrimônio que pode ser entregue ao capital privado, provavelmente estrangeiro. Não podemos deixar que um instrumento de gerenciamento de crédito que sempre esteve vinculado ao povo brasileiro seja usado exclusivamente para a geração de lucro privado.

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