Criação de banco popular segrega população de baixa renda

O Banco Central autorizou o Bradesco e o Banco do Brasil a criarem um banco popular, voltado para a população de baixa renda. A nova instituição iniciará suas atividades com recursos no valor de R$ 1 bilhão oriundo da financeira Ibi Promotora, que já é controlada pelos dois bancos. A criação do novo banco é […]

O Banco Central autorizou o Bradesco e o Banco do Brasil a criarem um banco popular, voltado para a população de baixa renda. A nova instituição iniciará suas atividades com recursos no valor de R$ 1 bilhão oriundo da financeira Ibi Promotora, que já é controlada pelos dois bancos. A criação do novo banco é mais uma estratégia do Banco do Brasil para expulsar essa parcela da população das agências e priorizar o atendimento aos clientes de maior poder aquisitivo.

O novo banco ainda não tem nome definido, mas começará a funcionar já no próximo ano e irá oferecer serviços de empréstimo e operações com cartões. O atendimento aos clientes será nas 145 unidades já existentes da financeira Ibi. Sem a obrigatoriedade de cumprir as normas de segurança impostas aos bancos, as financeiras funcionam sem porta giratória e profissionais de segurança, colocando em risco a vida de funcionários e clientes.

Os dois dos cinco maiores bancos do país estão de olho nos 160 milhões de brasileiros que recebem até três salários mínimos (R$ 2.364,00), já que muitos não possuem conta bancária. Dados do Banco Central apontam que do total de 56 milhões pessoas que pegaram empréstimos em financeiras em 2014, 34 milhões são de baixa renda.

No entanto, essa segmentação do público é uma verdadeira agressão à sociedade, como destaca o diretor do Sindibancários/ES, Thiago Duda. “Cada vez mais as agências se tornam espaços elitizados, voltados para atendimentos personalizados a clientes de alto poder aquisitivo. Em contrapartida, a população de baixa renda vai sendo literalmente expulsa das agências, empurrada para ambientes precários em segurança e em estrutura de atendimento”.

A segregação de clientes é uma prática antiga do Banco do Brasil. Uma das estratégias já adotadas pelo BB é o Banco Postal, criado em parceria com o Correios. Para esses correspondentes bancários, são empurrados os clientes de baixa renda, que não são bem vindos nas unidades do BB.

“A criação do banco popular é mais uma das formas do BB negar sua função pública. Como empresa estatal, deveria atuar como agente de promoção de políticas públicas e oferecer atendimento a toda população, sem discriminação. Além disso, o sistema financeiro em si é uma concessão pública. Portanto, tanto o BB como o Bradesco deveriam agir visando atendimento adequado à população, o que não é garantido com os correspondentes bancários”, enfatiza Duda.

Sócios

Além da financeira Ibi, o Bradesco e BB já são parceiros e sócios em várias empresas, como nos cartões Alelos, na Movera e na Stelo, que oferece os serviços de meios eletrônicos de pagamento. O lançamento do banco popular é uma estratégia antiga das duas instituições, desde a época em que criaram a Elo Participações, da qual o Bradesco detém 50,01% e o BB 49,99%.

Dentre os produtos que serão oferecidos pelo banco popular estão cartões de crédito, cartões pré-pagos, concessão de empréstimos por meio de cartões. O objetivo é desenvolver a bandeira do cartão de crédito Elo, uma sociedade do BB, da Caixa e do Bradesco. Vale lembrar que o presidente do Conselho de Administração do BB, Tarcísio José Massote de Godoy, também é executivo da Bradesco Auto/RE Companhia de Seguros.

 

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