Crônica de uma morte anunciada

"Ante a impossibilidade de eliminá-lo, o porta-voz da Caixa anuncia a pretendida morte do direito ao programa pelo encarecimento e sua estratégia é asfixiar o usuário pelo custo."

Por Ivanilde de Miranda, diretora da APCEF/SP e integrante eleita do Conselho de Usuários do Saúde Caixa

Com o pedido de perdão a Gabriel García Marquez, colombiano da narração fantástica, o título de um de seus romances me veio à mente quando de anúncio feito pelo diretor de gestão de pessoas da Caixa, Roney de Oliveira Granemann, durante o XL Simpósio dos Aposentados, realizado em outubro.

O diretor avisou que o Saúde Caixa terá a contribuição do banco, hoje em 70%, reduzida a 50% das despesas e a dos usuários elevada dos atuais 30% a 50%. Granemann não mencionou se, além dos valores relativos à parte assistencial, sua contabilidade incluirá despesas administrativas e tributárias. Se o fizer, os 30% saltarão para bem mais do que os 50% anunciados.

O Saúde Caixa é garantido por acordo coletivo de trabalho aos bancários que tenham sido admitidos na Caixa até 31/8/2018. Ante a impossibilidade de eliminá-lo, o porta-voz da Caixa anuncia a pretendida morte do direito ao programa pelo encarecimento e sua estratégia é asfixiar o usuário pelo custo. E vai além: com seu anúncio antecipado, pretende dar fim a um dos grandes temas da pauta das mesas permanentes de negociação, aquelas que a Caixa quer fazer crer serem conduzidas com boa fé.

Mas a fala não terminou aí. O diretor responsabilizou bancários e aposentados da Caixa por multas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde (ANS), multas em razão da incompetência administrativa da operadora na gestão do programa de saúde, não por acaso a própria Caixa. Responsabilizou, também, a mal-planejada – palavras do diretor – criação da Central de Atendimento que, entre outras consequências, determinou – palavras do diretor – o fim do atendimento em áreas que poderiam realizá-lo de forma humanizada.

Traduzindo: a Caixa erra no planejamento da Central, a Caixa fecha áreas de atendimento sem que seja obrigada a tanto, a Caixa inviabiliza o que resta eliminando empregados e, assim, a Caixa culpa os usuários dos programas pelas multas aplicadas em razão de reclamações. Fantástico, não?

O que falta, então? O principal: tornar o custo do Saúde Caixa tão elevado que, em breve, usuários desesperados buscarão socorro em algum produto de mercado. Mas não sejamos tão pessimistas: neste caso, certamente um porta-voz da Caixa será escalado para apresentar o leque de seguradoras e seus produtos, quem sabe oferecendo convênios no padrão de mercado.

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