Debate sobre bancos públicos abre Conferência Estadual

Durante a abertura também houve o lançamento da Campanha pelo Banestes Público e Estadual

Com a mesa “Se tem banco público, tem desenvolvimento”, teve início na sexta-feira, 23, a Conferência Estadual dos Bancários, no Hotel Praia Sol, em Nova Almeida, na Serra. Os debatedores foram Maria Rita Serrano, representante eleita no Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal; Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES e bancário do Banestes; além de Carlos Guilherme Haeser, aposentado do Banco Brasil; e Felipe Freire de Miranda, economista do Dieese. Também foi apresentada a Campanha pelo Banestes Público e Estadual.

Segundo Felipe Freire de Miranda, as empresas públicas são fomentadoras de políticas públicas mais eficientes e mais baratas

Felipe Freire de Miranda salientou que as empresas públicas são incentivadoras do desenvolvimento econômico nacional, regional e municipal; geram empregos diretos e indiretos e são fomentadoras de políticas públicas mais eficientes e baratas. Para demonstrar esse último aspecto, ele deu o exemplo do programa Minha Casa Minha Vida.

“Se o Ministério das Cidades efetivasse diretamente o Minha Casa Minha Vida, teria que se ramificar nos Estados e municípios, gastando muito mais do que gastaria utilizando a estrutura e a capilaridade da Caixa”, diz.

O papel dos bancos públicos no desenvolvimento econômico também foi destacado por Maria Rita Serrano. De acordo com ela, a Caixa é responsável por 63% do crédito habitacional no Brasil, enquanto o BNB e o BB juntos acumulam 70% do crédito agrícola. Ela enfatizou também a importância dos bancos públicos estaduais, como o Banestes, que tem a maior rede de atendimento bancário do Espírito Santo.

Maria Rita Serrano destacou que o desmonte está sendo feito em todas as empresas públicas, não somente nos bancos

Maria Rita Serrano falou, ainda, que a Caixa anunciou diversas medidas de desmonte da instituição financeira, entre elas, corte de empregados, extinção de funções e ampliação das terceirizações. Além disso, a representante dos trabalhadores e trabalhadoras no Conselho de Administração da Caixa apontou dados sobre a digitalização na instituição financeira. Segundo ela, 5% das transações ocorrem dentro das agências, enquanto 40% são feitas nas lotéricas.

A debatedora salientou que o cenário de desmonte está presente em todas empresas públicas.

“Todas elas estão passando, por exemplo, pelo processo da venda de ativos, privatização, retirada de direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, fechamento de unidades, entre outros. O que está em jogo é todo o serviço público. E infelizmente existe em meio à população a crença de que as pessoas devem ascender socialmente para ter acesso ao serviço privado, pois o público, na concepção delas, está deteriorado”, afirma.

Um dos processos de privatização vividos pela Caixa atualmente têm como alvo as Loterias. De acordo com Maria Rita Serrano, metade do que é arrecadado por meio delas é destinado para áreas sociais.

“A previsão é de que a Loteria Instantânea seja privatizada por meio de leilão em novembro. O objetivo é privatizar o conjunto das Loterias. De 2011 a 2016 elas arrecadaram 60 bilhões. Metade disso é destinado para a área social. Caso seja privatizada, o dinheiro arrecadado irá para a empresa que comprá-la, que, especula-se, será uma multinacional italiana. A conjuntura é difícil e desafiadora, exige reinvenção de práticas e ações. Temos que tirar as pessoas da apatia e organizar o contra ataque. Muitas empresas públicas foram privatizadas na década de 90, mas com muitas lutas, conseguimos preservar outras. Foi com luta também que em 2015 não derrubamos completamente o PLS 555, mas conseguimos tirar as cláusulas privatistas. Tivemos muitas vitórias e precisamos acreditar que teremos mais”, relata.

Carlos Guilherme Haeser destacou que trazer a sociedade para a luta em defesa das empresas públicas é fundamental

Assim como Maria Rita Serrano, Carlos Guilherme Haeser destacou a necessidade de mobilização para vencer os ataques contra as empresas públicas.

“Trazer a sociedade para a nossa luta é fundamental. Precisamos qualificar e ampliar as discussões. Quem constrói as empresas públicas são os trabalhadores e trabalhadoras, portanto, nós temos que enfrentar esse governo golpista”, defende.

Campanha pelo Banestes Público e Estadual

Jonas Freire falou sobre a Campanha em Defesa do Banestes Público e Estadual

Na abertura também foi apresentada a Campanha pelo Banestes Público e Estadual, com o slogan #EsseBancoÉdaNossaConta. Foram apresentadas as peças da campanha, que valoriza o Banestes em sua função pública e na relação com a população, além de dizer que o banco é o patrimônio do povo capixaba, que deve preservá-lo.

O coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire, confirmou que o cenário de desmonte está presente em todas as empresas públicas, inclusive no Banestes.

“O Banestes está enxugando o quadro de empregados. Não nomeia os concursados, demitiu em dezembro os aposentados do INSS e tem fechado agências. É exatamente o cenário que a Maria Rita Serrano relatou. Também concordo com Carlos Guilherme, quando diz que temos que trazer a sociedade para a nossa luta. Por isso que na tentativa de fechamento do posto de atendimento do Banestes em Barra do Riacho, Aracruz, nos reunimos com a comunidade, mobilizamos os vereadores e conversamos com um deputado estadual de Barra do Riacho e impedimos que o posto fosse fechado”, recorda.

Programação prossegue no sábado

A programação da Conferência Estadual dos Bancários prossegue no sábado, 24. A parte da manhã será dedicada à análise do atual momento político vivido no Brasil. O professor Nildo Ouriques, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catariana (UFSC) e presidente do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) fará, a partir das 10h, a análise de conjuntura, com o tema “Combater as reformas neoliberais de Temer e construir a resistência popular”.

Às 14h, haverá uma mesa para debater a reforma trabalhista, com participação do presidente eleito da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, e com o advogado e mestre em Direito Público pela UNB José Eymard Loguercio, que também é assessor da Fenae.
A mesa seguinte, às 17h, vai tratar do desmonte da Previdência e Seguridade Social no Brasil, tendo como convidada a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e pesquisadora de Política Social com ênfase na Previdência Social, Financeirização e Crédito, Rivânia Lúcia Moura de Assis.

A Conferência termina no domingo, 25.

Confira a galeria de imagens da Conferência. 

Imprima
Imprimir