Debate sobre os desafios da conjuntura abre programação da Conferência Estadual neste sábado

Ampliar a mobilização dos trabalhadores é uma das principais estratégias para garantir direitos e enfrentar a conjuntura de escalada de retrocessos e de ataque ao patrimônio público

Bancários e bancárias capixabas se reuniram na manhã deste sábado,21, para um amplo debate sobre a conjuntura estadual e nacional, no segundo dia da Conferência Estadual dos Bancários e das Bancárias.  Eleição, retirada de direitos, crescimento do autoritarismo e entrega do patrimônio público foram apontados como os principais desafios no cenário atual para a luta da classe trabalhadora.

A mesa contou com a participação do professor de sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e diretor do Sinasef IFBA, Rogério Ferreira Silva Lustosa, que fez uma análise da conjuntura nacional.  O advogado trabalhista e ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, André Moreira, falou sobre a conjuntura política, econômica e social do Espírito Santo.

Para o professor Lustosa, um dos aspectos mais graves da conjuntura atual é o aumento do totalitarismo no Brasil, que se revela no crescimento da violência, do preconceito, da criminalização dos movimentos sociais.

“Vivemos uma escalada do autoritarismo político e social no Brasil, que se revela em ataques a tudo o que pareça ser de esquerda. Dados da Comissão Pastoral da Terra apontam que a violência no campo cresceu 15% em 2017 em relação a 2016. Em 14 anos, 2017 foi o ano em que houve mais mortes no campo. E já neste ano, vários líderes quilombolas, indígenas, negros e agricultores foram assassinados. Temos, então, uma piora no cenário geral da nossa sociedade”, destacou o professor.

Diante dos inúmeros e contínuos ataques aos direitos dos trabalhadores, Lustosa destacou a resistência à implantação da reforma trabalhista, a união e mobilização dos trabalhadores como estratégias fundamentais na luta cotra esse sistema.

“O golpe foi justamente para intensificar um conjunto de ataques aos direitos dos trabalhadores, para garantir que os retrocessos acontecessem de forma acelerada. Mesmo com a aprovação da reforma trabalhista, ainda temos muita luta para fazer. Precisamos jogar todo peso na nossa mobilização para barrar as aplicações das medidas dessa reforma. Temos que nos organizar não apenas para as eleições, mas para defender a democracia, para garantir as liberdades democráticas”, enfatizou Lustosa.

 Espírito Santo

A forte influência poder econômico no processo político do Espírito Santo, que tem como principal consequência a entrega do patrimônio público, foi um dos destaques feito por André Moreira na análise de conjuntura do estado. Para o advogado, é preciso ampliar a mobilização dos trabalhadores para impedir mais retrocesso e garantir os direitos da categoria.

“No Espírito Santo, o modelo predominante é de entrega de tudo o que é público para a iniciativa privada. Temos a introdução das OSCIP’s nos serviços da área da saúde, assistência social e educação, áreas de atendimento direto à população. Esse modelo tem acarretado diversas perdas de diretos dos trabalhadores. Precisamos aumentar nossa mobilização, aprofundar a consciência do trabalhador capixaba e  melhorar nossa representação na assembleia legislativa. Esse é um momento decisivo para enfrentar o que ainda está por vir”, destacou Moreira.

Conferência

Durante a tarde, a primeira mesa de debate terá como tema “A classe trabalhadora no século XXI”, e terá a participação da assistente social, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UERJ, Morena Marques.

Em seguida, as 17 horas, bancários e bancárias vão discutir sobre a reforma trabalhista, os impactos na categoria bancária e as formas de enfrentamento. A mesa de debate contará com a presença da representante do Dieese, Kátia Ueva.

 

 

 

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