Debate sobre reestruturação e desmonte dos bancos públicos em congresso estadual do BB e da Caixa

O debate foi feito durante o Congresso Estadual dos Bancários do BB e da Caixa

O Congresso Estadual dos Bancários do BB e da Caixa teve início na tarde desta terça-feira, 13, com um debate sobre reestruturação e o desmonte dos bancos públicos, que contou com a participação da economista do Dieese Regina Coeli Camargo e do secretário geral da Fetraf, Sérgio Farias. Regina iniciou sua fala fazendo uma comparação entre a conjuntura política atual e o contexto dos governos Collor e FHC.

A economista Regina Coeli destacou que atualmente o capital está interessado em comprar ações por meio da abertura de capital

Uma das diferenças entre os dois períodos, segundo Regina, está no fato de que, embora os governos Collor e FHC tenham tomado diversas iniciativas contra a classe trabalhadora, tratavam-se de governos legítimos, pois foram eleitos pelo povo, ao contrário do governo Temer (PMDB). Outra diferença está no fato de que na década de 90 a privatização estava em voga por meio iniciativas como leilões das empresas públicas, hoje não.

“Atualmente o capitalismo está em crise. O capital internacional está interessado em comprar ações por meio da abertura de capital. Assim, a empresa deixa de cumprir seu papel público de crédito. E qual seria esse papel? O de investir no desenvolvimento do país, por exemplo, fomentar a agricultura familiar, projetos de moradia, entre outros”, diz a economista do Dieese.

Agências digitais, terceirização e reforma trabalhista

Regina Coeli deu um panorama do impacto da digitalização do sistema financeiro, da terceirização e de iniciativas que podem ser colocadas em prática com a aprovação da reforma trabalhista, como o trabalho intermitente, no trabalho bancário e na mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras. De acordo com a economista, o Itaú é o banco que lidera a revolução digital no mercado financeiro e o Banco do Brasil segue seus passos.

“São os dois maiores bancos do país e disputam todo ano em ativos. O BB, substituindo as agências físicas pelas digitais, tem fechados postos de trabalho. No último trimestre, foram 10 mil postos extintos. Estima-se que este ano cerca de 1.800.000 pessoas já aderiram à Conta Fácil BB, que o cliente abre e movimenta pelo celular”, diz.

A economista destaca que aliada à revolução digital, outras iniciativas, como a terceirização e a reforma trabalhista, trazem impactos negativos para a categoria bancária. Alguns deles são a extinção de cargos como caixa, tesoureiro e escriturário. Este último, por exemplo, teve uma queda de 77% entre 2003 e 2015 nos bancos privados. Regina salienta que isso impacta o perfil do trabalhador bancário.

“Essas funções são algumas das bases tradicionais do sindicalismo bancário. São as pessoas que normalmente participam de maneira mais ativa do movimento sindical. Em compensação, irão aumentar funções como as de atendimento de agência e outras que também são terceirizadas”, diz.

Segundo o secretário geral da Fetraf, Sérgio Farias, “a terceirização é a via expressa para que as coisas aconteçam no mundo do trabalho a sabor do capital”. Contudo, apesar da terceirização irrestrita ter sido aprovada e sancionada, ele acredita que é possível reverter esse e outras iniciativas do governo ilegítimo de Temer (PMDB) que impõem retrocessos para a classe trabalhadora.

“O desgaste do governo abre brecha de organização da classe trabalhar para reagir contra esses projetos”, declara.

Sérgio Farias, secretário geral da Fetraf, acredita que o momento é propício para fortalecer as mobilizações

A economista Regina Coeli apontou outros impactos negativos que a reforma trabalhista poderá trazer para a categoria bancária, como possibilidade de parcelamento de PLR em três vezes ou mais (conforme o banco divulgar os balancetes trimestrais), não incorporação da gratificação quando o trabalhador voltar para sua função, acordos coletivos por banco poderão valer mais do que a Convenção Coletiva Nacional, trabalho home Office, entre outros.

Eleição de delegados

Delegados da Caixa eleitos para o Conecef

Na parte da tarde também foram eleitos os delegados e delegados que representarão os bancários e bancárias no Conecef e no Encontro Nacional dos Trabalhadores do Banco do Brasil, ambos de 30 de junho a 02 de julho, em São Paulo. Entre os aposentados da Caixa foram eleitos Rita Lima, Álvaro Antonio dos Reis, Angela Barone e Reginaldo Barcellos Correia de Mello. Os ativos foram Vinícius Moreira, Renata Garcia, Fabíola Garcia, Lizandre Borges, Giovanni Riccio e Igor Bongiovani. O presidente da APCEF, Edmar André, participará como observador. A bancária Maria Elane de Azevedo é suplente.

“O Congresso Estadual nos deu a oportunidade de dialogar com um grupo grande de trabalhadores e trabalhadoras da Caixa, de fazer uma análise de conjuntura nesse momento de ataques aos nossos direitos. Isso é importante para que possamos nos organizar e resistir contra a retirada de direitos”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Giovani Riccio.

Delegados e delegadas eleitos para o Encontro Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil

Para o Encontro Nacional dos Trabalhadores do Banco do Brasil os bancários e bancárias eleitos para atuar como delegados e delegados foram Goretti Barone, Maristela Correa, Letícia Lander Costa Batista, Lucas Melo, José Carlos Noronha e Thiago Duda. Os suplentes são Suelen Suzano, Derik Bezerra, Maria da Glória e Sebastião Seschin.

“A fala dos palestrantes caracterizou bem o momento que estamos vivendo. É importante sabermos relacionar o desmonte dos bancos públicos com as reformas que o governo ilegítimo de Temer está fazendo, como a trabalhista”, diz o diretor do Sindibancários, Thiago Duda.

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