Demissão incentivada no BB: analise os impactos antes de decidir

No mês de junho o Banco do Brasil apresentou o Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI), cujo prazo para adesão termina no próximo dia 10 de julho. Mas o Sindicato dos Bancários/ES alerta que os bancários devem avaliar os impactos financeiros e emocionais que uma aposentadoria acarreta. Além das perdas financeiras, como fim do direito ao tíquete-alimentação e […]

No mês de junho o Banco do Brasil apresentou o Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI), cujo prazo para adesão termina no próximo dia 10 de julho. Mas o Sindicato dos Bancários/ES alerta que os bancários devem avaliar os impactos financeiros e emocionais que uma aposentadoria acarreta. Além das perdas financeiras, como fim do direito ao tíquete-alimentação e à PLR, uma aposentadoria sem planejamento pode provocar doenças emocionais devido à mudança repentina do cotidiano.

É preciso analisar ainda  os riscos em relação às mudanças nas regras da aposentadoria antes de aderir ao plano, pois está em curso uma série de alterações nas regras da Previdência Social. A diretora do Sindibancários/ES, Goretti Barone, destaca que a possibilidade de se planejar, evitando uma aposentadoria repentina, evita impactos de ordem emocional para o trabalhador. “Isso permite à pessoa, por exemplo, elencar opções de atividades, sejam elas de lazer, voluntariado e, até mesmo, profissionais, que possam ser exercidas após deixar o banco, fazendo com que sintam-se mais preparadas para sair da instituição. Afinal, muitos se aposentam sem saber o que fazer em seu tempo livre, o que pode levar o aposentado à depressão e outras doenças psíquicas”, afirma Goretti.

De acordo com o BB, não haverá nenhum tipo de pressão para adesão ao plano. Contudo, o prazo dado para os bancários decidirem se devem aderir ou não é muito curto. Começou no dia 22 de junho e termina no próximo dia 10, ou seja, menos de um mês. “O bancário terá pouco tempo para tomar uma decisão que é para o resto da vida. Defendemos que o banco tenha um plano permanente de incentivo à aposentadoria, para que as pessoas possam planejar quando querem se aposentar”, diz a diretora.

Em relação à Cassi, segundo informações do site do Sindicato dos Bancários de Brasília, os funcionários  que optarem pelo desligamento por meio do PAI poderão permanecer associados desde que tenham  no mínimo 20 anos de contribuição e permaneçam mantendo vínculo com a Previ, ou que já estejam aposentados pelo INSS e tenham no mínimo 10 anos de contribuição à Cassi, ou ainda, que estejam recebendo benefício de aposentadoria pela Previ. O Sindibancários/ES orienta a quem está nessa situação que faça uma consulta à CASSI. 

Precarização das condições de trabalho 

Na avaliação da diretora do Sindicato, o PAI irá impactar negativamente na luta em defesa do BB como instituição pública, pois sempre que há saída em massa de funcionários que têm muito tempo de casa, há uma perda da cultura organizacional para a própria empresa. “Quando a instituição quer evitar isso, faz mudanças gradativas, mas parece que a intenção da direção do BB é justamente quebrar essa cultura porque quer tornar o banco mais voltado para o mercado. Esse tipo de plano faz sentido somente quando a empresa tem dificuldade financeira para manter seus custos operacionais, o que não é o caso do BB, que tem lucro na casa dos bilhões. O que parece é que há intenção de reduzir a quantidade de funcionários em virtude de uma decisão estratégica de obter lucros ainda maiores”, enfatiza a diretora do Sindicato.

O PAI também merece atenção daqueles que vão permanecer na ativa, uma vez que impacta diretamente na cultura do banco e, essencialmente, nas condições de trabalho.  De acordo com pesquisa realizada pela Anabb, em outubro do ano passado, cerca de 73% dos bancários do Banco do Brasil consideram que o número de funcionários nos locais de trabalho é inadequado. Com o incentivo à aposentadoria e a escassa contratação de bancários, haverá um aumento de sobrecarga de trabalho e de pressão para cumprimento de metas dentro do Banco. 

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