Desrespeito: Banestes não seguirá Acordo Coletivo para pagamento da REV

Banco quer vincular pagamento da parte proporcional da REV às metas de agências e departamentos. Para o Sindicato, mudança é ilegal e trará prejuízos aos trabalhadores.

Em reunião com o Sindicato dos Bancários/ES nesta terça-feira, 27, a direção do Banestes confirmou os rumores de que não seguirá integralmente o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) no pagamento Remuneração Estratégica Variável (REV). Para o Sindicato, mudança é ilegal e trará prejuízos aos trabalhadores.

Pelo Acordo, 25% do recurso destinado à REV deve ser distribuído linearmente aos funcionários, enquanto os outros 75% são pagos proporcionalmente à renda mensal do empregado, de modo que o total não ultrapasse 1,5 vezes o valor do seu salário. Nesse ano, o banco manterá o pagamento linear dos 25%, mas vinculará o pagamento dos 75% às metas atingidas nas agências e departamentos. Ou seja, o valor da REV poderá ser maior ou menor que o cálculo base, conforme variação dos resultados atingidos por agência.

Segundo banco, as mudanças atingirão apenas os empregados dos níveis gerenciais, e a divisão será feita dentro de cada superintendência. Para caixas e técnicos bancários, a regra do ACT será mantida, sem sofrer influência das metas.

Metas foram aumentadas

Não por coincidência, as metas nas agências e departamentos foram aumentadas no último ano, como parte do processo de reestruturação implementado depois que Michel Sarkis assumiu a presidência do banco.

“A direção do Banestes vai aumentando as metas, colocando-as em patamares cada vez mais difíceis de serem alcançados. Depois, vincula a remuneração às metas sabendo que nem todos as atingirão, assim, o banco reduz a remuneração dos empregados e, o que é ainda pior, utiliza esse vínculo como instrumento de pressão para eles trabalhem cada vez mais”, critica Jonas Freire, coordenador geral do Sindicato.

“Ao invés de incentivar o trabalho coletivo e o apoio mútuo entre os funcionários, o banco fortalece uma lógica da competição predatória, da meritocracia, sem critérios claros ou justos para promover essa diferenciação. Não podemos concordar com essa prática. A política de metas é a principal responsável pelo assédio moral e adoecimento na categoria”, completa Paulo Roberto Soares, diretor do Sindicato que também acompanhou a reunião com o Banestes.

Banco não reconhece descumprimento de Acordo

O Sindibancários questionou de forma veemente a decisão do banco, no entanto, o Banestes não reconheceu que há irregularidades e insistiu em afirmar que está cumprindo o Acordo, mesmo estando evidente as alterações sobre o previsto na cláusula 4 do ACT – que regulamenta o pagamento da REV.

“O texto do Acordo é claro, um percentual será pago linearmente e o outro proporcional ao salário do empregado, ponto final. Não há nenhuma previsão de vincular essa verba aos resultados por agências. Isso não existe”, argumenta Jonas Freire.

O Sindicato já está estudando as medidas políticas e jurídicas para fazer cumprir o Acordo Coletivo da categoria.

Na reunião, representaram o Banestes o gerente de Recursos Humanos, Flávio Diesel, o advogado Valmir Capeleto e o diretor de administração Bruno Vivas.

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