Dia da Consciência Negra: marcha denuncia violência e mortes de mulheres negras no ES

A X Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra ocorreu na tarde desta segunda-feira, dia 20, Dia Nacional da Consciência Negra. A passeata reuniu representantes de vários movimentos negros do ES, estudantes e artistas negras e negros, que, ao longo do trajeto até o Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, denunciando o genocídio da população negras e a ausência de um projeto político de inclusão dessa população.

“Estamos na décima edição da Marcha Estadual Contra o Extermínio da Juventude Negra e, além de denunciar o alto índice de mortalidade que recai sobre os jovens negros no Espirito Santo, estamos evidenciando o absurdo de mortes de mulheres negras que ocorrem no Estado”, afirma Luiz Inácio Silva da Rocha, o Lula, presidente do Conselho Estadual de Juventude (Cejuve-ES) e coordenador do Fórum Estadual da Juventude Negra (Fejunes), durante a Marcha, que ocorreu na tarde desta segunda-feira, dia 20. O mapa da violência divulgado este ano indica que o Espírito Santo é o líder no assassinato de mulheres negras – 9,2 mortes para cada cem mil habitantes.

A marcha é realizada no Dia Nacional da Consciência Negra e reuniu representantes de vários movimentos negros do ES, estudantes e artistas negras e negros, que, ao longo do trajeto até o Palácio Anchieta, no Centro de Vitória, denunciaram o genocídio da população negras e a ausência de um projeto político de inclusão dessa população. Para Lula, a inviabilidade acerca das mortes de mulheres negras, por exemplo, não possui o mesmo peso quando “uma mulher da classe média morre”. “Queremos problematizar essa invisibilidade a respeito das nossas dores e das nossas mortes”, afirma.

Ele destacou o fortalecimento dos movimentos sociais nos últimos anos e criticou que a consequência dessa invisibilidade está relacionada, sobretudo, ao “embranquecimento no discurso da mídia”. “A morte de uma mulher negra é tratada como mais um caso e a repercussão criminal não é a mesma. Se a gente observar quando corre crimes de mulheres brancas, o Estado se agiliza para dar uma resposta aos familiares e à sociedade. Por outro lado, são pilhas e pilhas de inquéritos de mortes de mulheres negras que sequer têm um indicativo de autoria e não estão tramitando na Justiça”, questiona.

A reportagem do Sindibancários/ES também ouviu a psicóloga Meyriele Carvalho Silva, que pesquisa e vivencia em sua pele negra o cotidiano do racismo. Leia a sua fala completa na íntegra:

“Ainda temos muito para caminhar. Hoje, vemos um esgotamento das mulheres negras nessa luta. Todas as nossas pautas e agendas são muito caras. Mas o que percebo nessa caminhada é o esgotamento das mulheres negras. Precisamos estar sempre nos revigorando nos nossos espaços para poder renovar as formas de continuar nessa luta. As gerações novas de mulheres negras estão aprendendo com as gerações que já passaram. A geração atual também bebe nas referências das antigas gerações. Ainda há muito para caminhar. Temos uma legislação que não nos promove, que não nos preserva na nossa segurança e na segurança dos nossos corpos. Temos um desafio político de pautar o nosso corpo, nossa estética negra para além de uma questão de identidade, mas como uma questão politica. Temos um desafio no mercado de trabalho. Há uma dificuldade das meninas negras de se inserirem pela qualificação, devido ao retrocesso nas políticas públicas que começava a se aproximar das populações negras. É um período ainda de muita luta. Nesse 20 de novembro , resgatamos as nossas vozes do 25 de Julho, o Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, para falar que a gente vai resistir, mesmo cansada, sendo morta, estupradas, vamos resistir. A minha voz aqui agora não é minha apenas. São vozes que vêm das mulheres que me antecederam, dessa ancestralidade. A gente tem uma tarefa política, econômica, cultural e espiritual de existir com o corpo da gente, com a mente e a regionalidade que temos para viver e estar na luta”.

Performance simula alteração de nomes da Avenida Princesa Isabel para Dandara

Dados de raça/cor no setor bancário

No setor bancário, o índice de trabalhadores pretos e pardos é de 21,5%, enquanto o de branco é de 74,8%. Em números absolutos são 14.152 bancárias e bancários que se identificam na raça/cor preta, 90.417 como pardos e 362.787 são brancos. Entre aqueles que recebem a média salarial de 15 a 20 salários mínimos, o percentual é de 79,7% para a raça/cor branca, 13,3% para pardos e 1,7% para quem é de cor/raça preta. Já no caso da bancária e do bancário que recebem entre três salários mínimos, o percentual é 5,9% (cor/raça preta), 25,3% (parda) e 66,2% (branca).

A pesquisa de distribuição de bancários por raça/cor e por faixas de remuneração foi divulgada no site da Contraf. Para ter acesso ao levantamento, clique aqui.

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