Dia de luta movimenta trabalhadores contra retirada de direitos

Manifestações ocorreram em todo o Brasil e mobilizaram trabalhadores e trabalhadoras para a greve geral, no próximo dia 28 de abril

Foto: Sérgio Cardoso

Trabalhadores capixabas paralisaram a entrada da Petrobras, em Vitória, e retardaram por uma hora a abertura das agências bancárias localizadas na Reta da Penha durante a manhã desta sexta-feira, 31. A ação foi em protesto contra a terceirização e as reformas trabalhista e da Previdência e fez parte de um calendário nacional de mobilização em preparação para uma greve geral, a ser realizada no próximo 28 de abril.

Da sede da Petrobras, os manifestantes saíram em marcha até a agência da Caixa Econômica Federal, onde o ato foi encerrado, para denunciar também o avanço do capital sobre os bancos públicos e demais empresas estatais.

Além de bancários e petroleiros, a atividade reuniu portuários, professores e trabalhadores dos Correios e da Cesan – empresas que também estão na mira da privatização. Para a diretora do Sindibancários/ES Rita Lima, o conjunto de medidas propostos pelo governo Michel Temer (PMDB), aliado à maioria dos parlamentares do Congresso Nacional, representa o desmonte de mais de cem anos de luta e de resistência da classe trabalhadora no Brasil.

As agências bancárias localizadas na Reta da Penha tiveram a abertura retardada em uma hora (Foto: Sérgio Cardoso)

“Não vamos assistir passivos à retirada de direitos conquistados com nosso suor e sangue. A terceirização mutila nossos direitos, e as reformas da previdência e trabalhista são um avilte à nossa inteligência e à nossa humanidade. Se esses projetos passarem, em dois anos seremos um país ‘rico’ de povo pobre, e vamos voltar ao período anterior à CLT, quando os trabalhadores não tinham direitos assegurados”, destacou.

“Um grande tsunami está anunciado para passar por cima de nossos direitos e ele vai chegar se não construirmos um píer humano capaz de barrá-lo. Os impactos serão para todos, até mesmo empresários e comerciantes, que não terão para quem vender com o empobrecimento da população”, disse Dennyson Augusto Lomba, diretor do Sindipetro/ES.

Greve geral

A Intersindical reforçou o convite à construção da greve geral no dia 28 de abril, que está sendo convocada de forma unitária pelas centrais sindicais do país.

Dirigente da Intersindical, Idelmar Casagrande (Foto: Sérgio Cardoso)

“Neste ano comemoramos cem anos da primeira greve realizada no Brasil, de 1917, e até o direito de greve querem nos tirar. Hoje não somos bancários, petroleiros ou professores; nossa identidade é maior do que nossas categorias, somos todos trabalhadores. É hora de ir para as ruas dar um basta no avanço neoliberal imposto por esse governo ilegítimo. A única saída que temos é a luta”, disse Idelmar Casagrande, dirigente da Intersindical e do Sindibancários/ES.

Trabalhadores do campo fecham BRs

Trabalhadores e trabalhadoras rurais interditaram duas BR’s que cortam o ES (Foto: Danielle Melo)

A semana foi manifestação também no campo. Cerca de 5 mil camponeses fecharam na última quinta-feira, 30, a BR-262 em Venda Nova do Imigrante e a BR 101 em João Neiva, para dizer não à reforma da Previdência e aos projetos de retirada de direitos do governo Temer. As manifestações foram organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) e FETAES.

Sem renda mensal garantida e dependentes dos fatores climáticos para produzir alimentos, os trabalhadores do campo serão drasticamente prejudicados pela Reforma da Previdência.

Impactos

O PL 4302/98, que regulamenta a terceirização, permite que todas as atividades fim de uma empresa sejam terceirizadas. No caso da categoria bancária, especificamente, libera o caminho para os bancos terceirizarem todos os seus serviços e ampliarem o número de correspondentes bancários, o que pode ser o fim da categoria.

A reforma da Previdência também retira direitos ao impor a idade mínima de 65 anos para se aposentar, além do tempo mínimo de 25 anos de contribuição, tanto para homens quanto para mulheres. Além disso, para receber o teto do INSS será preciso contribuir durante 49 anos consecutivos, sem nenhuma interrupção, e não será possível acumular aposentadoria e pensão por morte.

Já reforma trabalhista prevê a prevalência do negociado sobre o legislado, dando abertura para que direitos trabalhistas possam ser flexibilizados em negociações sob pressão dos patrões. Segundo texto do projeto, a jornada de trabalho diária poderá ser de até 12 horas e o horário de almoço reduzido a apenas meia hora. No caso das férias, será possível parcelar em até três vezes, com pagamento proporcional.

Saiba mais sobre as consequências desses projetos

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