Dia Nacional da Pessoa com Deficiência: desafios para a inclusão e o fim do preconceito

Apesar de, maneira geral, muitos cumprirem as normas do Estatuto da Pessoa com Deficiência, aprovado em 2016, os bancos ainda perpetuam a discriminação dentro dos locais de trabalho

Ao olhar para a História, nota-se que avanços e direitos que as sociedades ainda têm hoje são resultados de diversas e longas lutas organizadas no passado. Para as pessoas com deficiência (PCDs), a transição entre o confinamento doméstico e a conquista (que ainda precisa ser ampliada) de maior respeito e inclusão só aconteceu após a organização dessa parcela da população.

Essa segregação das pessoas com deficiência ocorre desde a primeira infância até a inserção no mercado de trabalho. Nos bancos não é diferente. Apesar de maneira geral muitos cumprirem as normas do Estatuto da Pessoa com Deficiência, aprovado em 2016, os bancos ainda perpetuam a discriminação dentro dos locais de trabalho.

Em geral, as instituições financeiras cumprem a cota mínima de contratação de pessoas com deficiência e coloca esses empregados fora da posição de atendimento à população. “Aparência e resultados são valores fortes nas corporações financeiras. Logo, todas as minorias oprimidas , não diferentemente as pessoas com deficiências, dificilmente tem igualdade de oportunidades dentro dos bancos e ficam praticamente invisíveis”, destaca o  diretor do Sindibancários/ES, Fabricio Coelho.

A história das pessoas com deficiência no Brasil se inicia com total segregação social. Até meados do século XIX, os destinos possíveis das PCDs eram ficar presos em suas casas ou ser levadas para Santas Casas e até prisões.

A partir de 1854, com a criação de institutos educacionais, começa a haver alguma inclusão. Mas apenas uma minoria de pessoas e de deficiências eram contempladas pelas ações, cuja prática era mais assistencialista. A partir da década de 30 do século XX surgem entidades criadas pela sociedade civil, com focos em educação e reabilitação física.

“Ainda hoje a luta pela inclusão da pessoa com deficiência e para vencer o preconceito se inicia na infância. A primeira dificuldade é a inclusão das crianças com deficiência no ensino regular. A precariedade das politicas públicas na saúde e na educação dificulta ainda mais a vida das pessoas com deficiência até a juventude. O mercado de trabalho acaba reproduzindo todas essas dificuldades. Apesar da aprovação da lei brasileira para pessoas com deficiência, ainda estamos muito longe de chegar a uma sociedade que não exclua essas pessoas”, avalia Coelho.

Identidade de coletivo e lutas

Apesar das ações e estudos não terem o objetivo de formar sujeitos autônomos, os encontros e espaços de convivência entre PCDs possibilitaram formar identidade de coletivo. Nas trocas de experiências surgiram demandas partindo das PCDs, diferente das políticas aplicadas que eram pensadas e executadas por quem não tinha qualquer deficiência.

Surgem então os grupos associativos que lutam por melhores condições de trabalho, uso da linguagem de sinais entre outras reivindicações. Em 1979, junto com várias manifestações contra a Ditadura Civil-Militar e pela reabertura política, as lutas das PCDs por mais espaço na sociedade ganha impulso. O período é considerado um marco do movimento político das PCDs.

A organização e as lutas de décadas têm reflexos hoje. São direitos que não foram dados de “mão beijada”, mas conquistados. Só a luta muda a vida e para as PCDs ainda há muito o que lutar para que o País se adapte e inclua, efetivamente, os quase 24% da população com alguma deficiência.

Com informações do Sindicato dos Bancários de Santos

 

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