Dieese divulga desempenho dos cinco maiores bancos em 2016

Os cinco maiores bancos do Brasil fecharam 2016 com R$ 6,1 trilhões em ativos, um crescimento de cerca de 6,2% em relação a 2015

Dados da 11ª edição do estudo Desempenho dos Bancos, realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram que os cinco maiores bancos do Brasil fecharam 2016 com R$ 6,1 trilhões em ativos, um crescimento de cerca de 6,2% em relação a 2015. O estudo foi divulgado na segunda-feira, 17. Os cinco maiores bancos são Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Santander.

Os resultados alcançados por esses bancos se devem, entre outros fatores, ao aumento do resultado de seguros, previdência e capitalização e à elevação das receitas com tarifas e serviços, mas, especialmente, à queda nas despesas com empréstimos e repasses, em função da relativa valorização do real frente ao dólar, o que barateou os recursos captados pelos bancos no exterior.

“Os números mostram que os bancos seguem lucrando muito no Brasil. Os maiores bancos dobram seus ativos, em média, a cada 5 anos. Mas não é o suficiente pra eles. Querem retirar nossos direitos trabalhistas e previdenciários, pra achatarem mais ainda seus ‘custos’ e aumentar seus ganhos. A manutenção da rentabilidade do patrimônio líquido e dos níveis de lucro mostram que a gente não tem conta para pagar até mesmo por que os maiores bancos são os maiores devedores da previdência e são credores de uma dívida pública trilionária nunca auditada”, diz o diretor do Sindicato dos Bancários/ES, Fabrício Coelho.

Fabrício defende a estatização do sistema financeiro.

“Se fizermos uma conta rápida, percebe-se que só o ativo dos bancos privados no Brasil seria suficiente para pagar a dívida pública brasileira. Porque não estatizar o sistema financeiro brasileiro? Seria um dos passos para a gente construir uma sociedade mais justa, com menos desigualdade e mais renda no bolso do trabalhador”, destaca.

As despesas com impostos (IR e CSLL) tiveram impacto negativo sobre o resultado de 2016. Todavia, isso se deve ao fato de que, em 2015, os bancos utilizaram alto montante em créditos tributários, o que elevou os resultados obtidos no ano, o que não se repetiu em 2016, com reflexos nos números finais, ainda que o resultado bruto da intermediação financeira e o resultado operacional (antes, portanto, da contabilização dos impostos) tenham se elevado substancialmente.

Entre os grandes bancos, o Bradesco apresentou o maior crescimento do ativo, que teve alta de 19,8% e atingiu, aproximadamente, R$ 1,3 trilhão. Todavia, essa alta deveu-se, principalmente, à incorporação dos ativos do HSBC Brasil. O ativo do Banco do Brasil se manteve estável, com um total de R$ 1,4 trilhão, fazendo com que o banco perdesse a 1ª posição no ranking dos maiores bancos por esse critério. O Itaú Unibanco tornou-se o maior banco do país, com Ativo Total da ordem de R$ 1,426 trilhão. Uma das razões para o crescimento do ativo do Itaú foi a aquisição do banco chileno CorpBanca. Já os ativos do Santander cresceram 3,6%, chegando a R$ 701,7 milhões.

O patrimônio líquido dos cinco maiores bancos apresentou crescimento mais expressivo que o total de ativos, em média 8,3%, atingindo montante de R$ 422,5 bilhões. E, mais uma vez, o maior crescimento observado foi no Bradesco (13,0%), cujo patrimônio líquido alcançou R$ 100,0 bilhões devido à aquisição realizada.

O saldo das carteiras de crédito dos cinco maiores bancos, em termos nominais, caiu, em média, 3,4% no período, e chegou a R$ 2,9 trilhões. As únicas instituições com crescimento da carteira no período foram o Bradesco (alta de 8,6%, totalizando R$ 515 bilhões), devido à aquisição do HSBC, e a Caixa, que teve crescimento de 4,4%, totalizando R$ 709,3 bilhões na carteira de crédito.

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