Direção do Bandes chama polícia para criminalizar greve

Banco intimou bancários e bancárias a trabalharem antes do fim das negociações. Atitude do banco é considerada prática antissindical

Foto: Sérgio Cardoso

Foto: Sérgio Cardoso

A direção do Bandes chamou a polícia na manhã desta quarta-feira, 28, para intimidar os bancários em greve, criminalizando a paralisação da categoria. A ação aconteceu depois de o banco ter convocado todos os empregados ao trabalho, sem que as negociações tivessem terminado.

“Eu só vim até o banco porque recebi mensagem da minha gerente me intimando para trabalhar” relatou uma bancária que não quis se identificar.

A prática é antissindical e desrespeita o movimento paredista. Desde o início das negociações, a direção do Bandes tem assediado os bancários enviando cartas com pedido de não adesão à greve. Na mesa de negociação, o Bandes se fechou para o diálogo apresentando uma proposta insuficiente e condicionada ao fim imediato da paralisação. O banco ainda ameaçou retirar a proposta caso ela não fosse aceita num prazo inferior à 24h, obrigando a retomada das negociações a partir do zero.

“Quem decide sobre o fim da greve são os bancários. A paralisação continua até que o Bandes se disponha a negociar uma proposta real, que toque nos pontos centrais da minuta”, diz Ivaldo Albano, diretor do Sindibancários.

A principal reivindicação dos empregados diz respeito à revisão do Plano de Cargos e Resultados, em vigor há quase vinte anos e com grande defasagem.  “Há anos tentamos negociar essa pauta. O banco diz que fará estudos, se compromete a montar comissões de que sequer saem do papel. Foi assim nas últimas Campanhas Salariais. Até quando vamos engolir essa enrolação?”

Ivaldo destaca que, atualmente, não há perspectiva de valorização. “O meu tempo de casa pouco interfere na minharemuneração. Não há perspectiva de crescimento, ainda que a minha experiência contribua para o meu desempenho. Quem está no banco há uma década recebe praticamente o mesmo de quem entrou agora. E há dois anos o banco não paga aos empregados o previsto na política de mérito alegando falta de recurso”, explica.

Repressão

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Banco chamou polícia para reprimir movimento grevista da categoria bancária

O Coordenador geral do Sindicato, Jonas Freire, aponta que a direção do Bandes foi a única que usou de repressão policial para criminalizar o movimento de greve. “Nem mesmo os bancos privados, com largo histórico de repressão, tiveram uma postura tão autoritária. É assim que os dirigentes do banco, comandados pelo governo do Estado, tratam seus empregados”.

Cumprimento da Fenaban é obrigação, não é o limite das negociações

Tentando pressionar o fim antecipado da greve, o Bandes oferece como item do Acordo específico o cumprimento das clausulas negociadas com a Fenaban. Contudo, a direção do banco se esquece que a Convenção Coletiva de Trabalho já deve ser cumprida, não sendo limite para as negociações específicas.

Para os bancários, vale destacar que fechar um Acordo sem que as negociações nacionais estejam encerradas é assinar um cheque em branco. “Não há uma definição de índice nacional nem proposta global. As negociações continuam hoje, com nova rodada com a Fenaban. Os banqueiros insistem em apresentar uma proposta de reajuste abaixo da inflação mais abono, que é um grande retrocesso e impõe perdas. Sair da greve sozinhos significa aceitar essa proposta rebaixada e os consequentes prejuízos para a categoria, enfraquecendo a mobilização nacional”, diz Derik Bezerra, que compõe a comissão de negociação dos empregados.

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