“É preciso enfrentar as políticas antipovo”, diz Débora Nunes, do MST Nacional

Em debate sobre a relação campo e cidade, Carlão, dirigente do Sindibancários/ES, destacou a mobilização da categoria, junto com o MST, para derrotar a reforma trabalhista em 2018 e impedir a aprovação da reforma de previdência. Débora Nunes, do MST nacional, apresentou o quadro geral de luta pela reforma agrária, dentro do contexto histórico de enfrentamento ao modelo de agronegócio atual.

Carlão destacou a importância do MST na luta contra os retrocessos das reformas trabalhistas e da previdência.

A relação campo e cidade na conjuntura atual foi o tema do debate realizado na noite desta sexta-feira, dia 15, na sede do Sindibancários/ES. A ação teve como objetivo levar formação aos trabalhadores do campo e representantes do MST/ES, integrando a programação da 2ª Feira de Produtos da Reforma Agrária, que acontece até sábado, dia 16, na Praça Costa Pereira, centro de Vitória.

O diretor do Sindicato Carlos Pereira de Araújo, o Carlão, lembrou a relação histórica que o Sindibancários/ES possui com o movimento MST, “uma solidariedade enquanto experiência da classe trabalhadora”. Ao falar sobre a conjuntura política de retrocessos, Carlão destacou a organização e a mobilização da categoria, junto com os movimentos sociais, como o MST, para derrotar a reforma trabalhista em 2018 e impedir a aprovação da reforma de previdência.

“Nós estamos retomando uma resistência e esse é um processo que vamos ter que construir junto com os trabalhadores sem teto e sem terra, numa necessidade de troca constante, de ação concreta e formação. Temos que debater o papel do sistema financeiro nesse contexto e suas consequências para o campo e a cidade”, pontua Carlão.

Ele citou alguns enfrentamentos deste ano às políticas do governo ilegítimo de Michel Temer, como o dia 8 de março, a greve de 28 de abril e o Ocupa Brasília – esse último, contou com mais 150 mil pessoas nas ruas da capital federal, entre estudantes, movimentos sindicais e trabalhadores da cidade e do campo.

Atividade de formação reuniu trabalhadores do campo que participam da 2ª Feira de Produtos da Reforma Agrária, em Vitória.

No debate a representante da direção nacional do Movimento Sem Terra (MST), Débora Nunes, apresentou o quadro geral de luta pela reforma agrária, dentro do contexto histórico do modelo de agronegócio. Segundo ela, no contexto atual permanece o enfrentamento aos modelo do capital que atingem o campo, expresso no agronegócios, e o modelo do trabalho, com a agricultura camponesa – dois projetos que continuam em disputa e refletem a luta de classes.

“Seguimos na disputa da produção de um outro modelo para o campo. Mas sabemos que a nossa capacidade de mobilização e a nossa luta não têm conseguido dar respostas e fazer o enfrentamento necessário. Enquanto isso, a ofensiva no campo do agronegócio continua avançando na apropriação dos bens da natureza e na produção de commodities para o mercado internacional. Um modelo que continua flexibilizando a legislação, com as sementes transgênicas e o uso de indiscriminado de veneno, utilizando a grande mídia a seu favor. Outro agente é o estado brasileiro que está totalmente rendido e à serviço do modelo do capital”, analisa Débora.

Outros desafios que permitem a fragilização do movimento sem terra e da luta pela reforma agrária é a violência e a criminalização dos trabalhadores do campo, que atingem também às populações ribeirinhas e os indígenas. Segundo Débora, o Movimento Sem Terra precisa “enfrentar as políticas antipovo” e contribuir com as mobilizações contra esse governo golpista, além de lutar contra as reformas da previdência.

“Sempre articulando alianças com a classe trabalhadora na cidade, mas não podem ser oportunistas nem utilitaristas”, defendeu a representante do MST Nacional, que destacou, ainda, a necessidade de discutir a juventude no campo e de fortalecer lutas concretas por “nenhum direito a menos”.

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