Eleições: vitória de projeto conservador ameaça direitos. Seremos resistência!

Nota da diretoria do Sindibancários sobre o resultado das eleições presidenciais brasileiras

Apesar dos esforços da classe trabalhadora organizada e da grande frente que se montou para combater o fascismo no Brasil, o candidato Jair Bolsonaro (PSL) venceu as eleições presidenciais no último domingo (28).

Os impactos dessa escolha serão sentidos pelo povo brasileiro assim que o presidente eleito colocar em prática seu programa de governo, abertamente neoliberal e extremista. Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda, já apontou como prioridade zero a reforma da Previdência e o pacote de privatizações das estatais, que devem estar entre as primeiras medidas a serem discutidas junto ao Congresso Nacional.

Em seu primeiro discurso como presidente eleito, transmitido pelas redes sociais, Bolsonaro ressaltou o combate às esquerdas, onde se encaixam os sindicatos combativos e comprometidos com um projeto da classe trabalhadora, tal como o Sindibancários/ES. O pronunciamento aumenta o medo da repressão e da escalada autoritária contra movimentos sociais e organizações políticas, mesmo que a fachada de um governo democrático se mantenha. Nada de novo de um presidente cujo ídolo é o maior torturador da Ditadura Militar brasileira.

No pronunciamento ele também reafirmou os compromissos assumidos durante a campanha, numa clara mensagem aos representantes do mercado financeiro, da indústria e do agronegócio que apoiaram sua candidatura. A tendência é que agora a reforma trabalhista, aprovada em 2017, seja aplicada na sua totalidade e em todos os segmentos de mercado, inclusive no bancário, ameaçando a existência da própria categoria.

Mas a catástrofe não para por aí. As bancadas conservadoras já manifestaram o interesse de colocar em pauta ainda este ano, antes mesmo da troca presidencial, projetos relacionados à flexibilização do estatuto do desarmamento e à redução da maioridade penal, além do “Escola sem Partido”. Estão agora fortalecidas e legitimadas por um presidente que ignora qualquer perspectiva de defesa direitos como garantia da dignidade humana. Por isso, qualquer questão de violência deve ser resolvida com violência. O único direito possível para Jair Bolsonaro e que deve ser garantido é o direito de o mercado atuar livremente, não importa às custas de quê ou de quem.

Vale destacar que o projeto de Bolsonaro, embora vencedor nas urnas, está longe de ser um consenso entre a população. A polarização do segundo turno foi grande, como foi também o número de eleitores que não se posicionaram. Do total de eleitores, 147 milhões, Bolsonaro obteve 57,6 milhões de votos (39,1%), Fernando Haddad (PT) 46,7 milhões (31,7%), enquanto as abstenções atingiram 31 milhões de eleitores (21%), e votos brancos e nulos representaram, respectivamente, 2,5 milhões (1,7) e 8,6 milhões (21%). Muitos silenciaram, talvez em demonstração de rejeição a ambos os projetos.

O resultado das eleições deixa claro que há resistência pulsando. Nenhuma medida de retirada de direitos passará sem reação diante de nós. Manteremos a postura contundente de defesa dos interesses das bancárias e dos bancários, das conquistas históricas de nossa categoria e da classe trabalhadora. Seguiremos vigilantes, pois o cenário que se aproxima será de luta.

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