Em cinco meses, menos 6 mil postos de trabalho no setor bancário

Caixa é responsável por 23% dos cortes e bancos de perfil múltiplo 77%; para Sindicato, bancos preparam terreno para a possibilidade de aprovação da lei da terceirização

De janeiro a maio, os bancos brasileiros fecharam 5998 postos de trabalho. O número de cortes mais que dobrou em relação ao aferido no mesmo período do ano passado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e computado pelo Dieese e pela Contraf e divulgados e divulgado na Pesquisa do Emprego Bancário (PEB). No período, houve contratação de 9050 e desligamento de 15048 bancários.

Vinte e três por cento desse dado, 1368 postos, correspondem ao enxugamento operacionalizado pela Caixa. O número, aponta a diretora do Sindicato Lizandre Borges, diz respeito ao programa PAA, de demissão voluntária, e arrocha a atividade dos bancários nas agências.

“É tática da caixa de enxugar o número de empregados sem novas contratações. Entretanto, o banco não deixa de realizar as atividades pelas quais é responsável e se reflete no crescente número de adoecimentos da categoria e diretamente na qualidade do atendimento das agências”, avalia.

A situação também é alarmante nas instituições de operação múltipla, como o Banco do Brasil, Santander, Bradesco, HSBC e Itaú. Nessas instituições, houve corte 4637 vagas, 77% do número aferido.

“O papo dos bancos privados é a crise econômica, argumento que não corresponde ao panorama de incorporações e concentração de mercado vista nos últimos anos e o aprofundamento da inserção de canais de atendimento digital”, aponta Fabrício Coelho, também diretor do Sindicato.

Um fator preponderante tanto nos bancos públicos quanto nos privados, apontam os diretores, é a preparação do terreno para a implantação irrestrita de servidores terceirizados nos bancos. Para Coelho, a questão é intensa no Bradesco, que vem enxugando sistematicamente o número de funcionários contando com a aprovação no Congresso e a sanção presidencial da Lei da Terceirização.

Outros números

A pesquisa indica que 61% dos bancários foram por demitidos sem justa causa e, portanto, a demissão dos próprios bancos a intenção do corte, num total de 9.148 demissões. Por sua vez, apenas 29% foi por decisão do trabalhador bancário, com 4.321 pedidos de demissão.

A pesquisa mostra também que o salário médio dos admitidos pelos bancos foi de R$ 3.629,58, contra o salário médio de R$ 6.652,68 dos desligados. Assim, os trabalhadores que entraram nos bancos receberam valor médio equivalente a 54,6% da remuneração dos que saíram.

Discriminadas pelos bancos na sua remuneração, as mulheres continuam ganhando menos do que os homens. As 4.452 mulheres admitidas nos bancos nos cinco primeiros meses de 2016 receberam, em média, R$ 3.081,74. Esse valor corresponde a 74,1% da remuneração média dos 4.598 homens contratados no mesmo período, de R$ 4.160,04.

A diferença de remuneração entre homens e mulheres ainda é pior no desligamento. As mulheres que tiveram o vínculo de emprego rompido nos bancos de janeiro a maio de 2016 recebiam R$ 5.614,32, o que representa 73,7% da remuneração média dos homens, que foram desligados dos bancos.

Com informações da Contraf-CUT.

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