Em defesa da Caixa e de seus empregados

Investigação por corrupção praticada por quatro vice-presidentes do banco não pode ser utilizada para denegrir a imagem dos 87 mil empregados e empregados que fazem da Caixa um banco forte e lucrativo

Nas últimas semanas, denúncias de corrupção praticada por gestores da Caixa foram destaques na imprensa nacional. Quatro vice-presidentes são investigados em operações da Polícia Federal por “gestão temerária”, e três deles foram afastados do cargo, nesta semana, pelo Conselho de Administração do banco. Focado na privatização empresa, o Governo Temer se aproveita da situação para destruir a Caixa, com medidas que colocam em xeque seu caráter público e desqualificam o trabalho de cerca de 87 mil bancários e bancárias que se dedicam diariamente ao banco.

Presente em quase todos os 5.570 municípios brasileiros, a Caixa é o maior banco público do país. São 157 anos de história construída pelas mãos de milhares de empregados, aposentados e ativos, que não pode ser apagada por possíveis atos de corrupção de apenas quatro executivos, cujos cargos eram, até então, indicações políticas.

Somente nos nove primeiros meses de 2017, a Caixa obteve lucro líquido de R$ 6,2 bilhões, um aumento de 84,5% em relação ao mesmo período de 2016. O resultado é fruto do trabalho dos bancários e bancários comprometidos com o cumprimento do papel social do banco, mesmo submetidos a uma gestão cada vez mais opressora, com cobrança de metas, retiradas de direitos e escassez de empregados.

“Não podemos aceitar que denigram a imagem dos empregados da Caixa. Se há corrupção dentro do banco, a suspeita está sob a atuação daqueles nomeados por partidos políticos. Os empregados continuam trabalhando e atendendo a população. Se hoje as agências estão lotadas e a população sofre com a demora do atendimento, é justamente em função desse modelo de gestão que vem destruindo a Caixa. Milhares de empregados foram demitidos e não houve reposição. Os bancários e bancários estão cada vez mais sobrecarregados, mas continuam trabalhando pela manutenção da Caixa forte, 100% pública e com atendimento de qualidade”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Diante das denúncias de corrupção dentro da Caixa e dos constantes ataques ao banco, a Fenae publicou nota em defesa dos empregados e da manutenção da Caixa 100% pública. Confira:

Denúncias contra gestores da Caixa devem ser investigadas, mas banco precisa permanecer 100% público

A Caixa Econômica Federal é um banco público e está presente na vida de todo o povo brasileiro. Sua maior marca, desde que foi criada em 1861, é o compromisso com cada cidadão deste país, notadamente com o segmento mais pobre da população.

Como principal parceira do governo federal, a Caixa tem papel fundamental na política de inclusão social. Financia ações como moradia, saneamento básico (água e esgoto), obras públicas, educação e prestação de serviços, contribuindo assim para melhorar a vida das pessoas.

Esse cotidiano de atuação, típico de um banco 100% público, foi mais uma vez objeto de ataques recentes por parte do governo ilegítimo de Michel Temer. É que, em face das denúncias de corrupção praticadas por gestores da empresa, investigados por “gestão temerária” em operações da Polícia Federal, conforme notícias veiculadas nesta semana pela grande mídia, o Ministério da Fazenda se aproveitou da situação para mirar na dilapidação do patrimônio público.

Diante disso, a Fenae reitera o apoio à apuração das denúncias, tendo claro que esse trabalho precisa ser conduzido em qualquer empresa pública, não devendo, sob qualquer hipótese, ser utilizado para fins alheios ao interesse público. Nesse caso, aliás, o pleno direito de defesa precisa ser oferecido aos denunciados, mas a investigação tem que ser feita, até para preservar o caráter 100% público do banco.

O propósito do governo federal é o de sempre: acabar com o crédito direcionado, a exemplo do financiamento público à habitação (apenas a Caixa responde por 68,1% da carteira imobiliária disponível no país), para favorecer o sistema financeiro privado. Tudo isto é feito para criar dúvidas junto à opinião pública sobre a governabilidade e a integralidade de gestão da Caixa. Chantagem com este objetivo tem sido utilizada pelo governo federal na busca de apoio para a famigerada reforma da Previdência, como ocorreu na suposta liberação de crédito para parlamentares e governadores, por iniciativa do ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo).

A pauta privatista está em curso e representa o resgate de propostas de enfraquecimento da empresa pública. A consequência direta e previsível disso é a transferência para bancos privados de operações lucrativas, ficando reservada à Caixa apenas aquelas atividades que não dão retorno e não interessam à iniciativa privada.

Nessa perspectiva, a Fenae e outras entidades representativas lutam para que a Caixa permaneça como um banco 100% público, comprometido integralmente com a execução das políticas sociais de interesse da população brasileira, a exemplo do programa Minha Casa, Minha Vida e de ações na área de desenvolvimento urbano. Esse espírito está manifestado na campanha “Defenda a Caixa você também”, lançada em 3 de outubro do ano passado, para reafirmar que o banco precisa continuar à frente do desenvolvimento econômico e social do Brasil.

“A política de desmonte adotada pelo governo é um problema que não afeta somente os trabalhadores da Caixa, mas todos os brasileiros. Em 157 anos de existência, comemorados no último dia 12 de janeiro, o banco financiou a habitação, obras de infraestrutura, projetos de geração de renda, políticas sociais, além de crédito com juros mais baixos. Não podemos aceitar que o governo restrinja a atuação da empresa privilegiando interesses privados”, destaca o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira.

Ele diz ser necessário levar adiante a luta pela Caixa 100% pública e pela retomada do Estado Democrático de Direito. “A sanha da corrupção e da privatização andam lado a lado no processo de desmonte do patrimônio público. Nesse sentido, a mobilização em defesa do banco público deve vir acompanhada de uma política de valorização dos empregados”, conclui o presidente da Fenae.

(Fenae)

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