“Empobrecimento” de bilionários não reduz desigualdade social

Em 2015, a fortuna dos 400 indivíduos mais ricos do mundo encolheu US$ 19 bilhões no ano, segundo o Índice Bloomberg de Bilionários. Contudo, o anúncio do “empobrecimento” desse seleto grupo não altera em nada a ampla desigualdade social que atinge os outros cerca de 7,3 bilhões de cidadãos do planeta. A redução da riqueza […]

Em 2015, a fortuna dos 400 indivíduos mais ricos do mundo encolheu US$ 19 bilhões no ano, segundo o Índice Bloomberg de Bilionários. Contudo, o anúncio do “empobrecimento” desse seleto grupo não altera em nada a ampla desigualdade social que atinge os outros cerca de 7,3 bilhões de cidadãos do planeta.

A redução da riqueza foi ocasionada pela queda dos preços das commodities e os sinais de desaceleração do crescimento econômico da China, o que assustou investidores do todos os países.  Esse foi o primeiro declínio anual desse índice que mede diariamente a riqueza mundial desde sua estreia em 2012.

Apesar das perdas, esse restrito grupo ainda continua bilionário, como o cofundador da Microsoft Bill Gates, o mais rico do mundo desde maio de 2013, que perdeu US$ 3 bilhões, mas ainda tem US$ 83,6 bilhões.

Concentração de riquezas

As 400 pessoas mais ricas do mundo controlam um total de US$ 3,9 trilhões, segundo o Índice Bloomberg de Bilionários, mais que o PIB de todos os países do planeta com exceção de EUA, China e Japão. Em seu pico, em 18 de maio de 2015, os bilionários tinham quase US$ 4,3 trilhões, um aumento de US$ 267 bilhões em relação a 1 º de janeiro. Em agosto perderam esses ganhos e mais, quando uma queda global dos ativos eliminou até US$ 1 82 bilhões por semana.

No Brasil, a concentração de riquezas também é em alta escala. Dados da Receita Federal divulgados em agosto de 2015 mostram que menos de 1% dos contribuintes concentram cerca de 30% de toda a riqueza declarada em bens e ativos financeiros. Ou seja, a riqueza do país está nas mãos de apenas 71.440 dos 207 milhões de brasileiros.

Donos da riqueza

Carlos Slim, o magnata mexicano das telecomunicações, protagonizou a maior queda. Sua empresa América Móvil teve uma desvalorização de 25% em 201 5. Homem mais rico do mundo em maio de 2013, Slim caiu para a quinta posição em 2015, perdendo quase US$ 20 bilhões, depois que as autoridades reguladoras começaram a intensificar seus esforços para desmembrar negócios que controlam a maioria dos telefones fixos e móveis do México.

O investidor americano Warren Buffett, terceiro homem mais rico do mundo, perdeu US$ 11,3 bilhões depois que sua Berkshire Hathaway apresentou seu primeiro retorno anual negativo desde 2011.

As perdas de Gates e a ascensão contínua da Inditex, maior varejista de moda do mundo, deixaram o espanhol Amancio Ortega a US$ 1 0 bilhões do topo. Homem mais rico da Europa desde junho de 2012, Ortega superou Slim e Buffett ao ganhar US$ 12,1 bilhões. Seu avanço de 20% ainda ficou US$ 1 9 bilhões aquém do avanço do maior ganhador do ano, o fundador da Amazon.com Jeff Bezos. O bilionário nascido no Nov o México mais que dobrou sua fortuna para US$ 59 bilhões, com os investidores comemorando os lucros da maior varejista online do mundo.

O desempenho de Bezos e Ortega contrastou com o da família que controla metade da Walmart, a maior rede varejista do mundo. Os cinco membros da família Walton perderam um total combinado de US$ 35 bilhões em 2015.

Com informações do Valor Econômico e G1

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