Empregados da Caixa fazem protesto e Dia de Luta

Protesto foi realizado em frente ao Estádio Nacional Mané Garrincha, onde ocorreu evento, pago com dinheiro público, para tratar de medidas que significam o desmonte do banco e o desrespeito aos bancários e bancárias

Protesto realizado em Brasília, em frente ao Estádio Mané Garrincha (Divulgação: Seeb Brasília)

Empregados e empregadas da Caixa não deixaram o desrespeito da empresa passar em branco. Durante toda essa quarta-feira, 16, os trabalhadores denunciaram a conduta assediadora e contraditória da Caixa ao patrocinar um megaevento com dinheiro público para receber o presidente ilegítimo, Michel Temer. Durante a noite, o protesto teve  continuidade no Estádio Mané Garrincha, local do megaevento. Atos em defesa da Caixa 100% pública também foram realizados em outros estados, como resposta às medidas  de sucateamento do banco adotadas por esse  governo.

Divulgação: Seeb Brasília

Em São Paulo, cinco superintendências foram fechadas e os trabalhadores entregaram uma carta aberta à direção da Caixa. Já na porta do evento milionário, em Brasília, que tinha  Temer como convidado especial, diretores do Sindicato dos Bancários de Brasília e delegados da Conferência Regional da Federação dos Bancários do Centro Norte (Fetec-CUT/CN) reivindicaram mais respeito aos empregados da Caixa.

“Desde o anúncio do evento, entidades sindicais de todo o país denunciam a incoerência e a irresponsabilidade dessa gestão que realiza um evento milionário ao mesmo tempo em que aplica duras medidas de corte de empregados e fechamento de agências. Além disso, esse evento foi uma ação escancarada de assédio organizacional,  organizado para impor metas aos gestores, que  foram obrigados a comparecer ao que a direção do banco chamou  de ‘reunião de trabalho’. Essa afronta da atual direção da Caixa, sob o comando do governo Temer, deve ser respondida com nossa mobilização e luta, principalmente na Campanha Salarial deste ano, que será decisiva para a garantia dos nossos direitos”, enfatiza a diretora do Sindibancários/ES, Lizandre Borges.

Menos agências, mais risco à Caixa 100% pública

No Dia Nacional de Luta, os empregados aproveitaram para cobrar explicações da direção da empresa sobre o fechamento de mais 100 agências no país, anunciado mais uma vez pela mídia comercial. De acordo com informações dadas pela assessoria de imprensa da Caixa ao jornal O Globo, o corte das unidades está “alinhado” com ações de outras instituições. Como a ordem de “reduzir gastos” vem do Palácio do Planalto, o ataque ao caráter 100% público é evidente.

Na carta aberta entregue à direção da Caixa, em São Paulo, foi destacado o clima de insegurança entre os trabalhadores que se agrava em todas as unidades do país. “Decisões unilaterais estão levando ao encolhimento da empresa e restringindo as conquistas dos bancários e bancárias. Um dos exemplos é a redução do quadro de pessoal. Graças a programas de demissão e aposentadoria, mais de 16 mil empregados deixaram o banco desde 2015, sem que houvesse a retomada das contratações”, diz o texto.

A carta também cita a nova reestruturação em curso, chamada agora de Programa Eficiência, que é outro motivo de protesto dos empregados do banco.  Lançada no dia 19 de abril, a iniciativa mira na redução de despesas operacionais em R$ 2,5 bilhões até 2019. “Mais uma vez, o que está em risco é o papel social da Caixa e os direitos da categoria. Ao contrário do que prevê o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), não houve qualquer debate prévio entre a direção da empresa e as entidades representativas dos empregados”, afirma o documento.

“Nós, empregados da Caixa, defendemos um banco 100% público, fomentador do desenvolvimento econômico e social do país, por meio de políticas públicas. Defendemos também uma Caixa que valorize seus trabalhadores, pois são eles que constroem, todos os dias, essa empresa a serviço dos brasileiros. Para isso, no entanto, respeito deve ser a palavra de ordem”, diz um trecho do texto.

Com informações da Contraf e do Seeb Brasília

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