Entre contratações e cortes, sangria no BB continua em 2015

Anunciada pelo Banco do Brasil no último dia 5, a contratação de 2,6 mil funcionários para suprir vagas não preenchidas desmascara a sangria anual orquestrada pelo banco em seu quadro laboral. Na mesma data, um levantamento da Contraf-CUT apurou o corte de 3 mil postos de trabalho no país, uma diminuição de 400 vagas de […]

Anunciada pelo Banco do Brasil no último dia 5, a contratação de 2,6 mil funcionários para suprir vagas não preenchidas desmascara a sangria anual orquestrada pelo banco em seu quadro laboral. Na mesma data, um levantamento da Contraf-CUT apurou o corte de 3 mil postos de trabalho no país, uma diminuição de 400 vagas de uma só vez no contingente do BB. No Espírito Santo foram fechados cerca de 20 postos, de acordo com apuração do Sindibancários/ES.

Os cortes na dotação foram constatados pelo Sindicato a partir da análise do Sistema de Remoção Automática do Banco e em conversas com bancários nos dois primeiros meses de 2015. A percepção é de uma diminuição de dotação em agências grandes e aumento em pequenas.

A dotação funcional no Espírito Santo reduziu de 1589 para 1554 do ano passado até a primeira semana de março. A diferença abarca os 17 postos de trabalho extinguidos com o fechamento da Gecex/Vitória e a diminuição de dotação apurada pelo Sindibancários/ES no estado.

De acordo com Thiago Duda, diretor do Sindicato, essa estratégia do BB é recorrente. O banco promove alívio imediato nas agências, ao anunciar contratações, e dilui ao longo dos meses e anos a percepção da redução do quadro funcional, à medida que os excessos vão se ajustando. Um efeito amortecedor para conter a insatisfação entre os funcionários.

“O banco ficou anos sem repor os déficits de funcionários nas agências, forçando os trabalhadores a se “acostumarem” com o quadro reduzido. O estresse foi tanto que o anúncio de preenchimento de vagas, mesmo com redução das dotações, chegou a causar um sentimento de alívio. Mas a medida que os quadros excedentes das agências forem se ajustando, vamos voltar a sentir o peso da redução da dotação. A diferença desta vez é que não haverá mais margem para aumento do quadro de funcionários”, problematiza Duda.

 A Contraf-CUT a reunião agendada com o Banco do Brasil no dia 17 de março e o assunto contratações e dotação está na pauta de negociação.

Sindibancários/ES aposta em mobilização permanente e não em mesas de negociação

O Sindibancários/ES aposta na resistência permanente dos bancários capixabas e brasileiros para reverter a sobrecarga e os cortes impostos pelo Banco do Brasil.

O Sindicato denuncia constantemente os abusos do BB ao governo federal, acionista majoritário do banco, e tem cobrado da Contraf-CUT ações sindicais mais propositivas no âmbito de ampliar a mobilização dos bancários para resistir às investidas do capital financeiro.

“A Contraf tem privilegiado a política de gabinete ao sindicalismo de rua, popular e de mobilização da categoria, gerando um distanciamento da base com as questões relacionadas diretamente aos trabalhadores, alimentando a apatia, a indiferença e a acomodação, como se nossa saúde não estivesse sendo disputada cotidianamente pelo banco com a sobrecarga de trabalho. A mobilização é fundamental para garantir conquistas nas mesas de negociação”, denuncia Duda.

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