Entrevista: coordenador geral do Sindibancários/ES fala sobre os desafios da categoria em 2016

A luta em defesa dos empregos e contra a retirada de direitos trabalhistas são alguns dos desafios para os bancários e bancárias em 2016. Confira entrevista com o coordenador geral do Sindicato/ES, Jessé Alvarenga, que fala sobre as últimas conquistas da categoria e sobre a necessidade de manter a mobilização dos trabalhadores neste ano. Quais […]

A luta em defesa dos empregos e contra a retirada de direitos trabalhistas são alguns dos desafios para os bancários e bancárias em 2016. Confira entrevista com o coordenador geral do Sindicato/ES, Jessé Alvarenga, que fala sobre as últimas conquistas da categoria e sobre a necessidade de manter a mobilização dos trabalhadores neste ano.

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Quais foram as principais conquistas da categoria bancária em 2015?

O resultado da Campanha Salarial de 2015 foi nossa principal conquista. Os bancários e bancárias fizeram uma das maiores greves dos últimos anos e foi essa mobilização que derrubou o projeto de arrocho salarial que os bancos e os governos federal e estadual queriam impor para a categoria. Com muita luta, conquistamos um índice um pouco acima da inflação.

Em 2015, também tivemos importantes vitórias na defesa dos bancos públicos. Junto com o Sindibancários/ES, os trabalhadores do Banestes e da Banestes Seguros conseguiram barrar a abertura de venda de ações da seguradora dos capixabas. Os bancários da Caixa também mostraram a força da categoria e promoveram manifestações em todo o país contra o anúncio de Dilma da venda de ações do banco. Foi a união dos trabalhadores que fez o governo recuar.

Diante da conjuntura econômica e política atual, quais são os desafios em 2016 para os bancários e bancárias?

Assim como em 2015, os bancos privados anunciaram o fechamento de agências e a demissão de 18 mil bancários. Em 2016, um dos nossos maiores desafios é barrar esse processo de eliminação de postos de trabalho nos bancos privados e públicos. A Caixa, por exemplo, também anunciou que não irá fazer novas contratações. Precisamos manter a categoria unida, fazer uma Campanha Salarial forte como em 2015, para impedir o corte de mais empregos e resistir às tentativas de arrocho salarial. Não podemos aceitar o discurso da crise para “justificar” retirada de nossos direitos. Além disso, temos que nos manter mobilizados em defesa dos bancos públicos. A privatização dessas instituições – que são do povo brasileiro  ainda é uma ameaça real, principalmente com o PLS 555, em tramitação no Senado, que abre possibilidades de privatização das estatais.

A categoria também deve ficar atenta a administração dos fundos de pensão dos bancos públicos, como o Baneses, Previ e Funcef. Precisamos eleger representantes dos conselhos para esses fundos comprometidos com a defesa do patrimônio dos bancários.

Tendo a vista a constante ameaça aos direitos trabalhistas, principalmente com o PLS 30 (PL 4330), quais são os desafios em 2016 para classe trabalhadora?

Essa onda conservadora que assolou o Brasil após a nova composição do Congresso Nacional tem ameaçado os direitos dos trabalhadores, conquistados há décadas. Uma das principais ameaças é o PL 4330 (PLS 30) que libera a terceirização no Brasil e impõe a perda de direitos trabalhistas. Além disso, diante da crise econômica, o governo de Dilma Roussef (PT) está promovendo ajustes que recaem sobre os trabalhadores, seguindo a cartilha neoliberal. Há ainda as Medidas Provisórias 664 e 665, que alteraram as normas da Seguridade Social. Agora, a proposta do governo é impor uma reforma da previdência que penaliza ainda mais os trabalhadores, ampliando a idade mínima para ter direito à aposentadoria. A classe trabalhadora tem como desafio aumentar a mobilização para barrar essas e outras medidas conservadoras que estão sendo adotadas pelo governo e pelo Congresso Nacional. 

 

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