Estudantes e trabalhadores se unem contra ajuste fiscal

A concentração do ato foi na Sedu, que permanece ocupada há oito dias por estudantes secundaristas

 

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Estudantes, trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade se concentraram na manhã desta sexta-feira, 25, em frente a Secretaria Estadual de Educação (Sedu) para protestar contra o ajuste fiscal e a retirada de direitos. A atividade fez parte de um calendário de lutas nacional em protesto contra a PEC 55 (241), as reformas da previdência e trabalhista, a reforma do Ensino Médio, a terceirização (PLC 30), as privatizações e outras medidas que formam o pacote de ajuste fiscal do governo golpista de Michel Temer.

O local do protesto foi escolhido como forma de demonstrar apoio aos estudantes secundaristas, que resistem numa ocupação na Sedu há oito dias.

“É muito importante essa resistência dos estudantes. Um dos atentados do Governo Temer contra a educação é a retirada, do currículo escolar, de disciplinas como filosofia e artes, que são importantes para a formação humana, fazendo com que o ensino se limite a algo meramente técnico. Nós, trabalhadores e trabalhadoras, apoiamos a luta dos estudantes e somos contra toda e qualquer iniciativa de retirada de direitos, como a PEC 55, que precariza ainda mais o SUS e a educação pública”, diz o coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES, Jonas Freire.

A representante da União dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (Ueses), Virgínia Brantt, destaca que as principais pautas do movimento estudantil são, além da luta contra a PEC 55 (241) e a MP 746, a oposição ao Projeto Escola Sem Partido, eleições para diretor nas escolas e criação de uma universidade pública estadual no Espírito Santo, único estado brasileiro que não tem uma instituição de ensino desse tipo.

“Por meio das eleições os candidatos teriam que apresentar suas propostas para que a comunidade escolar, formada por professores, estudantes e pais, escolhessem aqueles que os contemplassem mais, fazendo da escola um espaço mais democrático. Quanto ao projeto Escola Sem Partido, é uma forma de impor a censura nos colégios com a desculpa de que existe uma doutrinação marxista”, salienta.

Durante o protesto, os manifestantes foram surpreendidos com a chegada do Batalhão de Missões Especiais da Polícia Militar (BME), que adentrou na Sedu. Foi criada uma comissão para dialogar com o comandante do Batalhão. Sem mandado de reintegração de posse, ele afirmou que sairiam dali após o encerramento do ato.

“Aqui estão estudantes e trabalhadores do campo e da cidade. E Paulo Hartung manda centenas de homens armados para reprimir essas pessoas, que pagam impostos, que geram riquezas. Enquanto isso ele dá bilhões de isenções fiscais para empresas exportadoras que degradam o meio ambiente, poluem nossos rios, nosso ar, geram empregos precários. O governador é o gestor dos interesses dessas grandes empresas”, afirma o diretor do Sindibancários, Carlos Pereira de Araújo, o Carlão.

Mulheres serão as mais afetadas pelas medidas do Governo Temer

Toda a classe trabalhadora será afetada com o ajuste fiscal e a retirada de direitos impostos pelo governo golpista de Michel Temer. Contudo, as mulheres serão as mais afetadas. É o que afirma a professora do Departamento de Serviço Social da Ufes, Gilsa Helena Barcelos. De acordo com ela, todo processo de desmonte da estrutura do Estado e das políticas públicas tende a afetar mais as mulheres em virtude da desigualdade que existe e meio à sociedade patriarcal.

“As mulheres vivem dupla, às vezes, tripla jornada de trabalho. Elas que são responsáveis pelo cuidado da família em nossa sociedade, e o cuidar passa pela saúde e pela educação. Quanto mais precarizadas essas políticas públicas, mais precarizada será a vida da mulher”, explica Gilsa.

Além disso, a professora salienta que, numa situação de demissões em massa, as primeiras a perderem seus empregos serão as trabalhadoras. No caso de achatamento de salários, fazendo com que o orçamento familiar fique cada vez mais curto, quem terá que lidar com esse orçamento apertado será o público feminino, que normalmente é o responsável pelas compras do lar.

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