Fenaban apresenta apenas dados parciais do Censo da Diversidade

A Fenaban descumpriu o compromisso assumido com o Comando Nacional e apresentou apenas os dados preliminares do II Censo da Diversidade na quinta rodada nacional de negociação, realizada nesta terça-feira, 16. A justificativa para a apresentação fragmentada dos dados é de que os bancos discutirão os números internamente para incluir mudanças e só depois fazão […]

A Fenaban descumpriu o compromisso assumido com o Comando Nacional e apresentou apenas os dados preliminares do II Censo da Diversidade na quinta rodada nacional de negociação, realizada nesta terça-feira, 16. A justificativa para a apresentação fragmentada dos dados é de que os bancos discutirão os números internamente para incluir mudanças e só depois fazão uma apresentação completa do estudo. O Censo foi aplicado entre 17 de março e 9 de maio, envolvendo 187.411 bancários de 18 bancos com atuação no país.

As negociações continuam nesta quarta-feira, 17, com o debate das pendências das rodadas anteriores, envolvendo os eixos de remuneração, saúde e condições de trabalho, emprego, segurança bancária e igualdade de oportunidades. Na sexta, 19, os bancos apresentam finalmente uma proposta global para as reivindicações da categoria.

“Os dados parciais são insuficientes para fazer uma análise do perfil da categoria e das desigualdades que abarcam os trabalhadores e trabalhadoras bancárias. Precisamos ter acesso aos números completos pra fazer cruzamento de dados e identificar, por exemplo, as diferenças de cada banco e entre o setor público e o setor privado”, critica Carlos Pereira de Araújo (Carlão), coordenador geral do Sindicato dos Bancários/ES e representante da Intersindical no Comando Nacional dos Bancários.

O Censo da Diversidade é um conquista da Campanha Nacional de 2012. O questionário foi aplicado para 41% da categoria, hoje com 458.922 trabalhadores em todo o país, dos quais 51,7% são homens e 48,3%, mulheres. Nenhum documento com as informações do Censo foi entregue ao Comando Nacional.

 

Preconceito de raça

Em relação à raça, o Censo mostrou um pequeno aumento de bancários negros na categoria. Passou de 19% para 24,9% o número de pessoas que se autoidentificaram negras, mas a desproporção continua grande. Atualmente são 76,6% de branco e 24,6% de negros.

A discriminação racial em relação à remuneração também persiste no sistema financeiro, embora tenha havido uma pequena melhora desde o primeiro censo. Em 2008, o salário médio dos negros equivalia a 84,1% do salário dos brancos. Hoje é o equivalente a 87,3%, conforme os números informados.

“A participação da população negra do sistema financeiro não reflete a diversidade étnica do nosso país, que tem pelo menos metade da população afrodescendente. Precisamos avançar na correção dessa desigualdade”, destaca o coordenador geral do Sindicato/ES.

Orientação sexual

Uma das novidades do II Censo foi a inclusão de uma variável de orientação sexual para medir a participação da população LGBT na categoria bancária. Do total dos que responderam ao questionário, 85,0% se declararam heterossexual, 1,9% assumiram a homossexualidade, 0,6% disseram ser bissexual, 12,4% não responderam e 0,1% assinalaram outra opção.

Os números parciais da Fenaban indicam ainda que 1,1% dos bancários que responderam à pesquisa disse ter cônjuge do mesmo sexo. Desses, apenas 38% fazem uso dos benefícios conquistados em 2009 com a cláusula de isonomia de tratamento para casais homoafetivos, como por exemplo a adesão ao plano de saúde.

Calendário

17 – Sexta rodada de negociação com a Fenaban
19 – Sétima rodada de negociação com a Fenaban
26 – Quinta rodada de negociação com o Banco do Brasil

Com informações da Contraf

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